Sessão Pop-Up: Rufato fala sobre Jayro Luna.
Comentários acerca de algumas monografias e tccs apresentados em 2003 em São Paulo

Rock and Roll em grande estilo

   Confirmando que boa parte da poesia brasileira de qualidade não passa pelos grandes circuitos, não sai das oficinas das grandes editoras e (infelizmente) não é conhecida do grande público, basta ler o pequeno (mas enorme) livro de Jayro Luna, "Bagg'Ave".
   Reunindo 32 poemas num livro de bolso (bolso de camisa, diga-se a bem da verdade), onde a temática é o rock e suas adjacências, Jairo consegue nos legar um livrinho que se filia, formalmente a dois grandes (e quase únicos) épicos da poesia brasileira: Jorge de Lima (em "Invenção de Orfeu") e Marcus Accioly (em "Sísifo").
   Em "Bagg'Ave", o leitor encontra todo o ciclo do rock e sua influência junto aos jovens, na nova tomada de consciência e nova postura frente à sociedade, muitas vezes, podre. E a poesia de Jairo tem fôlego, porque a cada página ela presenteia o leitor com o que ele sabe de melhor, utilizando, para mostrar o seu tema, desde sonetos tecnicamente perfeitos (de deixar babar muito acadêmico), mesmo que esse uso seja para ironizar, até a poesia concreta, que ele também demonstra sacar numa boa.
   E Jairo consegue fazer que sua poesia, em momento algum, seja pedante, mas mantém um grande estilo o tempo todo. Drogas, movimento hippie, rock, expressões americanizadas, jeans, heróis de histórias em quadrinhos, enfim, tudo o que compõe o universo jovem, a quem, na tentativa de marginalizar, cunha-se de alienante, Jairo capta, coma precisão antropofágica do Modernismo da primeira hora.
   Se o título do livro, "Bagg'Ave" é um mistério, não o são os poemas que o compõe, que dão a melhor prova da poesia ainda subterrânea que é feita aqui e em outros lugares. E essa poesia que, lutando contra tudo, vai se impondo, num circuito alternativo, que ultrapassa, em número e qualidade, o circuito oficial. Para quem não conhece Jairo e não vai poder conhecer, só resta ter pena deste País que não é feito de homens e livros.

LUIZ FERNANTO RUFATO, Jornal de Cataguases, 1986.

Comentários Breves Acerca de Algumas Monografias e TCC's
Apresentados em 2003

O ROMANCE NOIR EM O SILÊNCIO DA CHUVA DE LUIZ ALFREDO GARCIA-ROZA. Por Fabiana Folchini. Monografia de pós-graduação lato sensu em Literatura. São Paulo, UNICASTELO, 2003. 40 p. Orientador: Prof. Dr. Jairo Nogueira Luna.
   Apresenta as características gerais do romance
Noir no Cinema e na Literatura. Analisa o personagem principal do romance de Garcia-Roza, o detetive Espinosa e compara seu procedimento e forma de pensar com o pensamento do filósofo homônimo. Fala a respeito do humor e da crítica feita à sociedade pelo autor.

A PARÓDIA NA OBRA DE JUÓ BANANÉRE. Por Juliana Maria Baggio. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no curso de Letras das Faculdades de Guarulhos, 2003. 35 p. Orientadora: Prof. Ms. Simone Rossinetti Rufinoni.
   Apresenta dados biográfico e bibliográficos desse que é um dos mais interessantes e polêmicos autores do primeiro modernismo e, ao mesmo tempo, um dos mais esquecidos. Depois se comenta acerca de sua maneira peculiar de escrever/falar, o "português macarrônico". Por fim, analisa a questão da paródia como procedimento estético determinante da poesia de Juó Bananére.

CARACTERÍSTICAS DO CONTO GÓTICO E FANTÁSTICO EM NOITE NA TAVERNA DE ÁLVARES DE AZEVEDO. Por; Edgar da Silva O Dias; Michelle Senerchia Neto e Rilbertan Paes Paulino. Trabalho de Conclusão de Curso, Curso de Letras das Faculdades Guarulhos, 2003. 39 p. Orientador: Prof.Dr. Jairo Nogueira Luna.
   Depois de uma introdução acerca das características românticas de Álvares de Azevedo, apresenta as semelhanças entre a obra analisada e os contos de Hoffman. Fala ainda das características e do surgimento do conto gótico na literatura romântica.

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