Sessão Marginália: "Rios" Coletânea de 5 poetas!

Brindei Com Mão Serenata O Sonho Que Tive Durante Minha Noite-Estrela...

Brindei com mão serenata
o sonho que tive durante minha noite-estrela.
E desta maneira, tive perto de mim
a melhor e mais clara história doce:
a de um homem idoso
que tinha nos olhos as novelas da vida.
O motivo eu não sei,
o que vi, é que ele o possuía.
E havia também violões,
que tocavam enquanto ele caminhava
sobre as nuvens
todas brancas.

Elaine Pauvolid

Praia Vermelha

Clareira de estio envolve o círculo de pedra.
Em diáfana dispersão, alada vertente,
o mar, laguna verde azul,
passeia nuvens, matéria celeste.
Na pequena praia, represada entre montanhas,
o campo líquido se reclina
e o mar, lago aprisionado entre ilhas,
viaja na transparência ondulada.
O espírito vislumbra as correntes em frêmito,
as ondas que cantam,
tangendo liras de espuma no arco de pedras.

Márcio Catunda

Contatos: Elaine Pauvolid: pauvolid@olimpo.com.br
Márcio Catunda: mcatunda@mre.gov.br
Ricardo Alfaya: ricardoalfaya@aol.com
Tanussi Cardoso: tanussicardoso@aol.com
Thereza C.R. da Motta: tmotta@uol.com.br

O Olhar Ao Meio

Porque partimos
cegos
não há luz sol estrelas.

Porque seguimos
sós
e
solitários
não há mar sal areia.

Porque fizemos
da dor
osso e oráculo.

Porque temos no
vórtice
do dia
o risco:
a (in)certeza do
amor
:
olho e cisco.

Tanussi Cardoso

Andando A Pé Num Bairro Do Rio

O que me ensina o barro das coisas
é que as palavras podem construir um jarro
Não apenas para receber as perecíveis flores
ou para em seu fundo se esconderem amores
Mas também para conter as águas dos prantos
que recicladas em cantos poderão refrescar
a sede de virtuais viajantes em dias quentes
O que aprendo com o barro das coisas
é que elas se transformam em berro
em teimosia de resistência ao absurdo
em elogio à razão esquecida do mundo
O que vejo no barro acima das águas
depende do ângulo do ponto que dista
do ânimo que busca nova conquista
Diz-me um graveto não sem certa ironia:
O olho que olha nunca é o mesmo
nem o barro nem o jarro nem a terra
Mas há que saber olhar com o próprio olho

Ricardo Alfaya

O Terceiro

Porque fui o terceiro
De teus amores,
Soergui a face ante a penumbra
Ígnea, estagnada língua
Forma de encanto, senda,
Vereda posta onde havia o ermo.
Assim, a passar o tempo
Por teus claros vazios,
Trouxeste-me cestos, horas
E discos d'água,
Fomes abruptas de vorazes segredos,
Nunca o ócio,
Voz e vaga, ao deitar-me sobre a tarde
E me ouvias, ainda.

26/06/2003--4h35

Thereza Christina Rocque da Motta

Capa de Rios,coletânea de poemas. Rio de Janeiro, Ibis Libris, 2003. Pedidos: nozarte@aol.com

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