Sessão Pim-Ball!

Universitários

Bons rapazes que ninguém mais atura
Da ironia socrática, colunas,
No sacrifício de imensas fortunas,
Cavando vão a própria sepultura.

Essas moças que professam cultura
E de bons modos se dizem alunas
Quando vêm, exibem formosas dunas,
Quando vão, o esplendor de tanajura.

São de hoje assim: desumanos, cruéis,
Elas patricinhas, eles miguéis,
Celulares... Sem lição... Fantasias...

Livros... Pastas cheias... Mentes vazias...
Nesse caos vive a nossa mocidade
Que freqüenta hoje a universidade.

Paulo de Morais

UM VELHO AMIGO RECORDA 68

Por isso recusei
Roer com os dentes
As paredes repentinas desse não.

Por isso recusei
Tomar a frente
E dar meu rosto à indistinta multidão.

Por isso preferi
Ficar esquivo
E aguardar o que iria acontecer.

Por isso preferi
Manter-me vivo
E cauteloso elaborar o meu porque.

Por isso
Armei tranqüilo
A invulnerável explicação
E nada me pergunto.
Por isso
Ou por aquilo
Ou por qualquer outra razão:
Vamos mudar de assunto.

BRÁULIO TAVARES

ESCOICEADOS

Meu pai e eu
nunca subimos
num alazão
que galopasse
ao vento.
Tínhamos
um burro
cinza malhado:
o Ligeiro.
Foi apanhado
de um conhecido
por ninharia.
Chegou com fama
de sistemático,
cheio de refugos.
De trote tão curto
que dava dor
nas costelas.
De certa vez,
caímos do burro.
Meu pai e eu.
Eu e meu pai.
Embolados.
Joelhos esfolados
no pedregulho.
Levamos coices.
Meu pai e eu
Os dois
nunca subimos
na vida.
DONIZETE GALVÃO

Este as futuras gerações
Vão achar muito hermético:

Fissurado em ti
Entrei numas de horror
Enquanto você nem tchans.

ULISSES TAVARES

CLEPSIDRA

Recomponho o reino antigo de Bizâncio
Na paisagem deste vulto luminoso,
Feito névoa esponjosa de lilazes,
Tresandando o aroma dos remansos,
Peixes rubros cintilando nas funduras,
Leitos híbridos de recantos sibilinos,
Véus reclusos, o ciclâmen dos presságios
No ambíguo despertar do inflamado
Em silêncio frio e prata de crepúsculo.                         
HUGO MUND JR.

Avançar

Home

Voltar