ORFEU SPAM 21/22

Jornal Eletrônico de Poesias e Artes

Editora: Epsilon Volantis

ISSN: 1807-8311

Orfeu Spam é uma publicação trimestral de poesia, música e artes em geral.

São Paulo, março/maio de 2009/junho/agosto de 2009.

Orfeu Spam está no ar desde janeiro de 2003

 

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GONÇALO JÁCOME

Gonçalo Casimiro Jácome de Araújo nasceu em Barreiros, Pernambuco, em 27 de fevereiro de 1874. Foi aluno da Escola Militar da Praia Vermelha, abandonando, porém, o respectivo curso. Tempos depois era nomeado para os Correios. Estava aposentado, em cargo modesto, quando faleceu, em 10 de novembro de 1943, no Rio de Janeiro.

Gonçalo Jácome foi um distinto poeta simbolista, de inspiração católica. Desde o seu primeiro livro, Felix Culpa, dedicado "Ao genial poeta Cruz e Sousa e aos invencíveis sonhadores da Rosa-Cruz", demonstrou um gosto dedicado, imaginação de qualidade, num instrumento verbal menos intemperante do que era corrente no movimento. O seu derradeiro livro, Inanis Labor (prefaciado pelo veterano Carlos D. Fernandes), encerra espécimes bastante expressivos de versos livres. Em Felix Culpa, a que Saturnino de Meireles juntou uma introdução, a sua poesia estava mais estreitamente presa à de Cruz e Sousa: um discípulo de rigorosa ortodoxia.

Jácome integrou o grupo de Félix Pacheco, Saturnino de Meireles, Maurício Jubim e Carlos D. Fernandes, grupo de tal importância no simbolismo brasileiro que foi chamado da Rosa-Cruz. Foi, nele, elemento ativo. Nunca deixou, mesmo quando seu último remanescente, o tom típico, a ênfase e o hermetismo de poeta "nefelibata" ou "decadente". Vivia modestamente, mas inebriado de poesia.

Obras poéticas: Felix Culpa, Rio, 1903; Inanis Labor, Rio, 1928. Deixou numeroso espólio inédito.

Fonte: MURICY, Andrade. Panorama do Simbolismo Brasileiro, vol. 2, p. 635.

 

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O HOMEM DE MÃOS VAZIAS

O homem de mãos vazias,

Rico de idéias, pobre de alegrias,

Motivo de silêncio e desamor,

Embora a iniquidade do destino,

Era um luzeiro adamantino,

Fulgindo alto e enchendo o mundo de esplendor.

 

O homem de mãos vazias,

Para o consolo amargo dos seus dias

Apenas antevia o seu Thabor.

Mas, seu nome vibrava aos quatro ventos,

Na asa dos grandes pensamentos,

Fulgindo alto e enchendo o mundo de esplendor.

 

 

 

 

 

 

 

Gustave Doré, Satã.

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Flores Noturnas

Na eterna paz das noites silenciosas

E por onde estrelas glaciais florescem,

Pelas excelsas aras luminosas

Dos céus azuis, brancas neblinas descem.

 

Cristalinas hosanas langorosas

Na boca dos arcanjos desfalecem.

E num concerto de harpas misteriosas

Lótus de amor pela amplidão fenecem.

 

Todo o paul da terra se perfuma

E desabrocha no éter e na bruma

A gestação das flores imortais.

 

E, do mar das angústias e das ânsias,

As nossas almas bóiam nas distâncias

Das remotas paragens siderais.

 


 

 


 

Predestinação

Não deplores viver sob o anátema triste

De um sofrer infinito, estranho visionário,

Pois a glória de um deus neste mundo consiste

Em ser como Jesus e subir ao Calvário.

 

Poeta! às altas regiões os teus vôos desferiste.

Teu espírito foi à terra refratário.

Contra os maus, com teu gládio, um dia te insurgiste,

Resigna-te afinal e cumpre o teu fadário.

 

Teu nobre coração será exposto às lanças,

Às perfídias brutais, às míseras vinganças,

E hás de errante morrer sem pouso e sem carinhos...

 

Mas por ti luzirão as noites estreladas,

Mas por ti vibrarão as almas delicadas,

Mas por ti clamarão as pedras dos caminhos.

 

 




 

"Magnificat"

 

Aquela a quem relato o meu segredo,

 que de lauréis a fronte me entretece,

impalpável visão que no rochedo

 dos Prometeus do sonho comparece.

 

Aquela a quem nas dores intercedo,

que é toda amor, toda desinteresse,

 dos céus azuis desceu ao meu degredo

nas invisíveis asas de uma prece.

 

Aquela . . morrerei serenamente,

 afogado na linfa do meu pranto.

 repetindo o seu nome resplendente.

 

Aquela... surgirei diante os seus braços,

 osculando as estrelas do seu manto,

 fora do tempo e fora dos espaços.


 

 

 

 LOAS RECORDATIVAS

 

Oh! virentes vergéis da juventude,

Oh! jasmineiros da primeira idade,

Que ando a evocar na minha mansuetude

Cheio de mágoa e de emotividade;

 

Perspectivas azuis dos tempos idos,

Na aquarela das névoas e dos anos,

Quando a intensa volúpia dos sentidos

Já nos encheu de fel e desenganos;

 

Quando a cabeça se nos embranquece

Ante o vago fantasma da velhice

Aspiramos sentir a branca messe

Dos floridos rosais da meninice.

 

Desejamos sorver a longos tragos

Os mais castos e cândidos perfumes,

Para esquecer os temporais aziagos

Da grande dor que já não tem queixumes.

 

 

 

 

Oh! barulhentas músicas gritadas,

Oh! rumorosos risos e folguedos,

Alegrias cantantes, alvoradas

Dos que douram de luz os seus degredos;

 

Se a decadência trôpega tateia,

Para o passado os olhos alongando,

É que vê todo o chão de cruzes cheia

E a caveira seu gesto ironizando.

 

Arcaicos alaúdes aos salgueiros

Da paz eterna dos esquecimentos,

Acompanhai meus cantos forasteiros,

Não permitais que os leve a asa dos ventos.

 

Somente vós, por essas horas tardas

Das tardes melancólicas e frias,

Acolhereis as andorinhas pardas

Das remotas lembranças fugidias.

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