Berceuse da Lua
O fio do bordado desfeito
Dado à dúvida do desenho,
Uma blasfêmia posta ao peito
Na ausência do certo engenho.

Palavras caindo como chuva
Dentro dum copo de papel,
Deslizam na côncava curva
Mirando o Universo e o Céu.

Preso por loucos sentimentos,
Bebo o vinho ideal das quimeras,
Espírito imortal flui ao vento...

Tela que versos quaisquer descem,
Selo no ventre nu de adúlteras,
Da Lua caem cristais e a dor tecem...
(do livro Florilégio de Alfarrábio, p.127)

INFORMAÇÃO POÉTICA

Não existe arte sem constrição,
Dsenvolveremos a mensagem cantada:
Se o que conhecemos do Universo
- a hipótese muito simplista aqui apresentada -
O criptógrafo faz em sentido inverso,
Sabemos que a utilização de artifícios
Não corresponde, senão excepcionalmente,
                                            [à realidade!

(do livro Florilégio de Alfarrábio, p. 79)

Bibliotecas da Antiguidade

Em Nínive com vinte e duas mil placas
De argila, já nos séculos distantes,
Eis que tal biblioteca se destaca,
E às margens do Rio Nilo o inquietante

Egípcio faz papiro. Mas se é fraca
A folha, também flexível, foi em gigante
Biblioteca guardada. Eis que ataca
O fogo dos tiranos ignorantes...

Se em Roma muitas belas bibliotecas
Se fizeram. Cristãos guardaram livros
Do fogo bárbaro. E se o cristão peca

Pela censura dura, eu o livro
Da sentença por bela iluminura
Qual a nossa, de pôr fé na cultura!
                          (do libreto A Peleja de Flash Gordon & Os Acadêmicos do Planeta Mongo, 1990)

Acid-Rain. Poema visual publicado na Saciedade dos Poetas Vivos - vol. 5 - Poesia Visual, Blocos, 1993.

Eclipse - Poema Visual, publicado no Educart, n.º 2, Fac. Integradas de Guarulhos, 2002.