ORFEU SPAM 17/18

Jornal Eletrônico de Poesias e Artes

Editora: Epsilon Volantis

ISSN: 1807-8311

Orfeu Spam é uma publicação trimestral de poesia, música e artes em geral.

São Paulo, abr.jun. de 2007/jul.-set. de 2007.

Orfeu Spam está no ar desde janeiro de 2003

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Sessão Marginália: Kátia Bento

 

KÁTIA BENTO nasceu em Castelo, Espírito Santo. Seus pais, Antonio Raymundo Bento e Argentina Maria Rochetti Paresqui Bento. Estudou no Grupo Escolar Nestor Gomes e no Colégio João Bley, em Castelo, Transferindo-se para o Rio de Janeiro para estudar na Universidade do Brasil, UFRJ, na Faculdade de Enfermagem, antiga Escola Ana Néri. Desde criança apaixonada pela poesia, escrevia poemas e se interessava, autodidaticamente, pela literatura em geral. Em 1968 publicou em edição particular O Azul das Montanhas ao Longe e, a partir desse lançamento, veio a conhecer outros jovens poetas que também haviam publicado recentemente, como a poeta Kuri, e outros inéditos. Logo passaram a se reunir semanalmente para leitura de poemas e troca de experiências. Surgiu assim o grupo AdVersos, que realizava apresentações públicas semelhantes às que fazia, à época, o poeta Lindolf Bell. Além dessas atividades, juntamente com seu companheiro do AdVersos, José Pires Barrozo Filho, desenvolveu intensa correspondência com poetas de outros estados, especialmente com os de Minas Gerais. Remanescentes das publicações Tendência e Veredas, os poetas de Minas trabalhavam vivamente o Poema-Processo e a Poesia de Vanguarda. Com Barrozo Filho, apresentados pelos escritores José Afrânio Moreira Duarte e Euclides Marques Andrade, fez, então, contato pessoal com Henriqueta Lisboa, Laís e Henry Corrêa de Araújo, Adão Ventura, Márcio Almeida, Oscar Kellner Neto, Joaquim Branco, Ronaldo Werneck, dentre outros, numa fase de intensa conscientização crítica, que eliminaria dos seus poemas o estilo inicial, lírico e subjetivo. Com essa mudança de postura, saiu do AdVersos e, com Barrozo Filho e Temístocles Verçosa, lançou Poesioje, publicação bem acolhida e destacada como movimento literário pelo Jornal do Escritor, de José Louzeiro, que fazia o levantamento dos grupos de vanguarda existentes nesse tempo. Poesioje, ao qual se juntou ainda o poeta Francisco Maciel, teve intensa participação em eventos culturais, mostras de poemas visuais, semanas de arte, performances etc. Kátia Bento passou a publicar em suplementos e jornais literários de todo o país. Ao mesmo tempo, foi escolhida como uma das cinco poetas brasileiras incluídas em reportagem de Santiago Kovadloff para a revista Crisis, da Argentina, resultando daí sua inclusão na antologia Las Voces Solidárias, do mesmo autor. Recebeu prêmios em vários concursos e, nessa escalada, publicou Principalmente Etc, em 1972, ano de sua união com o poeta Dirceu Quintanilha, com quem viveria até o falecimento deste, a 5 de julho de 1994. Em 1980 é a vez de Romanceiro de Amuia, em homenagem à bisavó paterna, uma índia Puri. Na mesma época, através da poeta Maria de Lourdes Hortas, que organizara a antologia Palavra de Mulher, toma conhecimento e passa a participar do Movimento Pirata, de Recife, através do qual publica Bichuim, poemas para crianças, e seu principal livro publicado, Contrafala. A partir de 1978 desenvolveu intensa atividade preservacionista, participando de campanhas em favor da Natureza, sobretudo quanto à questão indigenista, à defesa animal e contra o desmatamento, quando criou o mandamento "NÃO DESMATARÁS". Para esse engajamento utilizou o poema visual, o poema-objeto e formas alternativas, como a Arte Postal, através de mostras, como a XVI Bienal de São Paulo. Como artista postal participou de exposições em todo o Brasil e no exterior (Itália, França, Alemanha, Bélgica, Suíça etc). Em 1981 recebeu Menção Especial do Prêmio Fernando Chinaglia pelo único livro de ficção que publicou, O Jogo da Velha (Histórias de Jesus para Cachorros), apresentado pelo monge beneditino Dom Marcos Barbosa. Em homenagem à poeta potiguar Auta de Souza escreveu o ainda inédito Auto de Auta. Também entre outros inéditos está Lavratura, já premiado, e - Memória do Castelo Bem- Assombrado, escrito com a paixão que sempre teve pela cidade onde nasceu. Em 2000 aconteceu a alegria do reencontro com AdVersos. Prossegue sua caminhada poética junto a esses primeiros companheiros, participando, com o grupo, de eventos e de projetos em comum. Kátia Bento acredita ter recebido influência poética da poesia de vanguarda e do pós-concretismo. Seus poetas prediletos são Cassiano Ricardo e João Cabral. Trabalha, preferencialmente, com a metalinguagem, não se permite o hermetismo mas não abre mão do rigor formal.

(Fonte: http://www.katiabento.hpg.com.br/)

 

 

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O POEMA, O ÓPIO DO OFÍCIO

Pegar o pó da palavra
na embalagem sobre a pauta
letra a letra no papel

Solver a palavra pura
sorvê-la, absorvê-la -
gota entrando no poro
água na veia, erva
                            doce

Transpor os brilhos vertigens
clarins de sol pele a dentro
na lucidez, transparência
da palavra além do espaço
 

do cor
          po branco da página

 

TROMBETA EM WOODSTOCK

brotam luas como câncer de nossas gargantas
brotam luas

o sermão do campo cresce como um signo
elétrico

Salomão em sua grandeza
não vestiu nossas vestes

verde e redivivo
é o chão dessa messe

: olhai as aves do vale
adoecidas de luar

 

 

 

- PEGA LADRÃO!
Alguém tirou
um pedaço
do meu 
		P~O.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A ARTESÃ

Artesã que tece a linha
laça o tempo e seu novelo
- a vida quer te laçar.
Ai, que após o ponto alto
do riso, vem a corrente
da dor que quer te enlaçar.

Nessa faina, pouco a pouco
aos olhos te chegam rugas
tornando o rosto tear -
sobre a testa pousa a paina
tornando a cabeça cã.

- Artesã, tuas mantilhas
e essa alvura, são meadas
de igual partida de lã?

E viver? é esse fio
diante das mãos? ou ofício
que te arremata e arrematas
: jogo de agulha e punhal.

Ah, solidão, alfinete!
Ai, sangue sob o dedal.

 

 

PROFISSIONAL

Poeta sem remuneração,
sem escola, sem remédio,
sinto essa inquietação
de trabalhar onde trabalho
para não morrer de fome
e fazer a poesia que faço
para não morrer de tédio.

MISERERE

Os jesuítas farejam
: na superfície o chão é hera areia pedra
em que porção do subsolo o ouro medra?

Os jesuítas forjam
: vinde ó almas verdes como a relva
é a voz do céu que chega ao coração da selva

Os casuístas a missão dupla encerram
: isentam nativos de culpa
juntam tesouros na terra
 

UM LANCE DE BORDUNA NÃO IMPORTUNA

Nheênga tu
nheêngo eu
: Pindorama,
adeus.

 

A  M  A

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A M  O

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BIBLIOGRAFIA - POESIA

O AZUL DAS MONTANHAS AO LONGE. Edição particular, Rio de Janeiro, 1968.

PRINCIPALMENTE ETC. Editora Cátedra, Rio de Janeiro, 1972.

ROMANCEIRO DE AMUIA. Editora Fontana, Rio de Janeiro, 1980.

CONTRAFALA. Edições Pirata,
Recife, 1980.

BICHUIM. Edições Pirata, Recife, 198l.

AVANTE XAVANTE. Edições Haibã,
São Paulo, 1984

FICÇÃO

O JOGO DA VELHA (Histórias de Jesus para Cachorros). Editora do Escritor,
São Paulo, 1981.

 

 

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