ORFEU SPAM 14

Jornal Eletrônico de Poesias e Artes

Editor: Jayro Luna

ISSN: 1807-8311

Orfeu Spam é uma publicação trimestral de poesia, música e artes em geral.

São Paulo, julho / agosto / setembro de 2006.

Orfeu Spam está no ar desde janeiro de 2003

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Sessão Pim-Ball: Poesias de Simone Cristina Bazilho, Raimundo Cândido, Artur Gomes, Leila Míccolis, Juliana Oliveira e três crônicas de Mão Branca.

 

Drummundo

(De: Artur Gomes)

eu sou drummundo
e me confundo
na matéria
amorosa
posso estar
na fina flor
da juventude
ou atitude
de uma rima primorosa
e até na pele/pedra
quando me invoco
e me desbundo
baratino
e então provoco
umbarafundo
cabralino
e meto letra
no meu verso
estando prosa
e vou pro fundo
do mais fundo
o mais profundo
mineral
guimarães rosa

http://arturgomes.zip.net

Eu

(Simone Cristina Bazilho)

  

Sou emoção
palavras
silêncio.
Me exponho...
Me iludo
sou tudo
sou nada.
Você
não me percebe,
nem ao certo sabe meu nome
e eu de você
já sei tudo
mas não é tudo

 

SUPERHERÓTICOS

(De: Leila Míccolis)

 

Enquanto o Incrível Hulk
cresce na parte de cima
verde que nem perereca,
a pobre parte de baixo,
vermelhinha de vergonha,
não rasga nem a cueca.
Já o Homem Invisível
tem um troço tão encolhido
que ganhou este apelido.
E o Homem Aranha? Coitado!
Dia e noite, noite e dia
só na luta contra o mal
deve ter teias no pau...
Êta turminha sem sal!

 

Não é ridículo?
Ninguém agüenta mais os Super Homens,
com seus cintos de utilidade
e estreitas mentalidades...
Homens com maiúsculos agás,
"gagás".
Chega dos valores desta escala:
muito falo e pouca fala.
Se afinal é preciso mudar tudo,
que se tire então, do homem, o H mudo.

 

 

Guerra

(de: Raimundo Cândido)

Vergonhoso espetáculo da Terra:

disformes cordeiros de baionetas,

obrigados a marchar para a guerra,

ao tropel do soar das trombetas!

 

Marcham... pela ignorância vil!

Marcham... olhos míopes, mente servil!

Mancham de lágrimas e sangue a Terra,

triste nódoa que a vida encerra!

 

Obedecem ao tinido do ferro e do fogo,

obedecem ao comando demagogo,

vão cumprir uma ordem desumana

 

imitando a velha galera romana.

Vão sem procedência e sem ética,

vão ao caminho da morte patética.

 

(fonte: http://www.raimundofilho.hpgvip.ig.com.br)

Lenha

 (De: Juliana Oliveira)

Ansiedade infinita

A corroer-me os sentidos...

À espera de um “alô”,

Meu coração se desespera!

 

Sou escrava da frase rotineira:

“Você tem uma nova mensagem!”

Mensagem que muda meu estado

De espírito, mas não a minha vida...

 

Por que não me respondes

Se sabes que sofro assim?!

Anseio por notícias tuas,

Como a vital estimulante...

 

Com o coração esmagado,

Meus dias são de espera por ti...

Almejo tuas palavras, língua, boca,

Pele, sentido... tudo em mim!

 

Que devo fazer? Tecer uma colcha

À tua espera?!

Pois eis que a tecerei!

Mas, se não apareceres,

Dou-a a um mendigo com frio

E, a outro, aquecerei com

Meu fogo reservado a ti!...

 

Pois se tal fogo já não te aqueces

É porque lenha, uma vez molhada,

Não incendeia mais...

 
Detesto contradição, detesto estrelismo e adoro autógrafo
(De: Mão Branca)

- A justiça é uma merda!
Jura? Nem me dei ao trabalho de concordar.
- Matam e roubam sem nenhuma punição!
Será que só descobriu agora?
- É por isso que vou votar no Lula.
Epa! Que mixórdia é essa?
- Mas o Lula tá metido em corrupção! - Redargúi.
- A justiça não provou nada! - Foi a resposta. Novamente não me dei ao
trabalho, mas agora de tentar dialogar com a estúpida criatura.
Reclamam que a justiça não consegue punir os criminosos, por conluio ou
incompetência mesmo, porém aprovam políticos denunciados, atolados na
titica, já que a justiça não os puniu. Oras, há uma grande contradição nesta
premissa. Ou se confia no judiciário ou não. Infame é aceitar apenas o que
for de interesse.
Contudo, nem sei o motivo do meu espanto ou da minha descrença, afinal somos
brasileiros e, nesta condição, corruptos, patriarcais e malandros.

Detesto estrelismo

Sou um fã atuante, costumo me aproximar dos ídolos para felicitá-los por
suas obras. Mas não encho o saco, é claro, normalmente fico na frase única:
- Hei, sou seu fã. - E completo. - Adoro seu trabalho.
Fui apresentado ao vocalista da Plebe Rude. O cara foi educado. Conversamos
amenidades. Nas muitas outras vezes que nos falamos sempre tive que me
reapresentar pois ele nunca se lembrava.
Para não amolar mais o figura, já que ele fazia esforço para me atender,
desisti de puxar papo. Uma grande amiga em comum nos chamou para sua festa
num barco. Não teve jeito de deixar o estrelinha em paz. Quando nos cruzamos
no convés, abaixei os olhos para não importuná-lo mais uma vez com meus
confetes.
Ele não gostou de ser ignorado. Riu-se da minha negativa. Quis "sair por
cima", como acha que faz em seus ataques de celebridade. Resmungou qualquer
coisa sobre sua fama.

Reclamei sobre ele para minha amiga.
- Você tem que entender que ele foi um astro. - Defendeu.
- Astro? No máximo um Plutão que some do céu.
- Mas foi famoso.
- Isso o torna superior? E nem foi tão conhecido assim, "one hit wonder" de
Brasília.
-  Imagine perder a fama. - Retrucou. - Todos ficariam meio bestas.
- Que contradição é essa? - Exaltei-me. - Deveria era ser mais humilde, pois
conheceu o sucesso e o ostracismo. Será que não aprendeu com a volubilidade
da fama?
Conheci astros verdadeiros, como Júnior Baiano (ah, nem me venham com
xurumelas, o zagueiro foi muito mais famoso que o músico) que depois de ser
felicitado por mim ainda agradeceu o elogio. Poderia ter me ignorado, mas
soube mostrar a devida humildade de quem vive da admiração do fã.

Adoro autógrafos

Participei duma coletânea de contos. Alguns amigos pediram meu autógrafo.
Contabilizei nove dedicatórias. Nove. Em cada uma fiquei tão encabulado
quanto o dia em que acordei pelado depois de uma bebedeira na Praça dos Três
Poderes. A diferença é que  autografar um conto não é constrangedor. Mesmo o
meu conto, que era violento, chulo e amoral.
- Ficou feliz, amorzinho? - Perguntou-me minha mulher.
- Fiquei estrela! - Respondi.
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http://www.maobranca.xpg.com.br/

 

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