ORFEU SPAM 11

Jornal Eletrônico de Poesias e Artes

Editor: Jayro Luna

ISSN: 1807-8311

Orfeu Spam é uma publicação trimestral de poesia, música e artes em geral.

São Paulo, outubro/novembro/dezembro de 2005.

Orfeu Spam está no ar desde janeiro de 2003

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Sessão Pim-Ball: Poesias de Kiko Ferreira, J.B. Farias, Juliana Oliveira, Álvaro Cardoso, Rafael Antônio Marques Ferreira

e Ana Cristina César.

 

Belo Blue

                                 Kiko Ferreira

I

se a linha do horizonte

costurar um blues

a corda de aço

deixa cicatriz

 

se a alma da cidade

revelar um blues

a porta da estrada

me deixa feliz

 

Poema Descabelado

                                      Álvaro Cardoso

 

Joselito, estiveste

sempre em minha história

pobre jornaleiro que eras

nas fitas da Condor

        ou Metro Pictures

mas a personagem agora

sem esmero na vestuária

sem happy-end

é lumpen e universitária

Agora é MODA

     Diz o rock

             Tupiniquim

                      Caias na estrada!

(mal sabem vocês a quantas ando!)

sempre estiveste nos seus sonhos

bares do Bixiga

quanto desato e atropelo

                             cabeças incautas

 

Fases

 

                                               Juliana Oliveira

Menina moleca de cabelos em pé,
Vestido estampado e sandália melissa.
Brinca com a boneca,
Chamando-a de filha.

Bravinha mocinha em frente ao espelho
Reclama dos fios, que rebeldes não assentam.
Joga a boneca de canto,
Entrando em pranto por roupas não ter.

Amor aflorado e paixão efervescente,
Sensualidade aguçada e razão presente...
Simplesmente Mulher.

O Cálice

Rafael Antônio Marques Ferreira

O cálice transborda de vinho quente, recordando casos

perdidos  na  mente  outro  homem  roído  começa

embotar e segue lentamente a esvaziar.  Derrama

mentiras esquecidas, felizes aventuras perdidas

nos   romances   apaixonados   e  amores   já

maculados.  Traz  um homem  no  ar,   um

bêbado  a  falar: "Sou  um semideus

quase deis".  Crendo morto  num

prazer  que  seja

-tudo-

-vida-

-amor-

-belo-

-alvo-

-sexo-

-sujo-

-feio-

-ódio-

-medo-

-nada-

enganando-se  falsamente.

O cálice  transbordando: é o viver,

quando complacentemente vaio: a morte.

Eterno Mito

                                  J.B. Farias

 

A bordo de sua nave mãe

Sempre viajou por caminhos obscuros,

Entre as petrificadas árvores da floresta negra,

Hoje saudoso...

Com certeza vagueia, com outros poetas loucos

Por claros caminhos...

Sob um tapete de estrelas

Pela via cósmica do espaço sideral.

Passando a todos,

Amantes do Rock, adoradores do mito,

A energia captada através dos Astros,

Tão desejada e tão procurada por ele.

 

Sempre profundo nas palavras,

Largo no saber e raso no viver!

Ele foi feito da terra,

Da água, do fogo e do ar,

Da paixão nasceu, surgindo da escuridão.

Hoje vive entre as estrelas,

Na ofuscante companhia dos Astros,

Sem solidão...

Nunca o julguei louco,

Se o fosse, não teria o poder

De cantar encantando.

Sempre o vi com lucidez,

Sempre à frente, cantando para um mundo

Futuro e diferente.

 

                                  (Do livro Viajando com Raul Seixas)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                            Otto Dix, A Jornalista Sylvia Von Harden.

Arpejos

                                 Ana Cristina César

 

1

Acordei com uma coceira terrível no hímen. sentei no bidê com um espelhinho e examinei minuciosamente o local. Não surpreendi indícios de moléstia. Meus olhos leigos na certa não percebem que um rouge a mais tem significado a mais. Passei uma pomada branca ate que a pele (rugosa e murcha) ficasse brilhante. Com essa murcharam igualmente meus projectos de ir de bicicleta à ponta do Arpoador. O selim poderia reavivar a irritação. Em vez decidi me dedicar à leitura.

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