ORFEU SPAM 11

Jornal Eletrônico de Poesias e Artes

Editor: Jayro Luna

ISSN: 1807-8311

Orfeu Spam é uma publicação trimestral de poesia, música e artes em geral.

Orfeu Spam está no ar desde janeiro de 2003

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Sessão Marginália: Eduardo de Paula Leite

Nada sei do autor de "O Amor Que Não Fizemos" (1981? , ed. do autor). O livro foi encontrado por mim na biblioteca da UNICSUL. O título como primeira impressão me sugeria aqueles livrecos neo-pseudo-parnasianos-românticos de confissões sentimentais sem qualquer poeticidade. Mas logo ao folhear chamou-me a atenção as epígrafes dos poemas (Bukovski, Baudelaire, Jimi Hendrix, John Lennon, Aldous Huxley, Augusto dos Anjos). Vi que o título do livro me enganava. Comecei a ler os poemas e descobria aqui e ali uma série de referências intertextuais (Caetano Veloso, Jack Kerouac, Bíblia...). Numa poesia de versos modernos, com rimas e sonoridades contínuas mas sem qualquer esquema pré-determinado, as palavras vão se colocando como notas de uma grande partitura sonora, uma ópera-rock poética. O autor tem outros livros (Rastros e Pegadas - 1980; O Prazer de ser - 1981; Cara e Coragem - teatro, 1981?). O livro que encontrei na UNICSUL consta como doação da USP! Pelo jeito a Universidade de São Paulo não entendeu bem a poesia de Eduardo de Paula Leite, poeta desses, com a rebeldia e a contracultura transformadas em versos de síntese, de dinâmica e dissonâncias, existem poucos. Pela internet pude descobrir que o autor tinha ou tem um sebo (Labirinto Cultural) e que existe um poema dele no site A Cigarra ("Kremlyn com Chantilly"). Nada mais.

 

Mecânico Blue

Assim na terra como no inferno

Aldous Huxley

 

A menina

             em cacos

chorava

         atomicamente

com a rosa rasgada

em suas metálicas mãos

mãe de um aborto

                            nuclear

revolvia seus 17 anos

cantando liquidificamente

                                     um blue

As lágrimas

                 colores

jorravam prum chão de aço

para purificar o fim carnal

que há minutos deflagrou-se

Acionou

            todos

                    os botões

e numa raiva dodecafônica

invocou somente o

                               diabo

prum coito

              mate

              mati

                    co.

 

 

O Autor - On the Road

 

não sou morto

      sou vivo

por isso

     sou

           um

errabundo

vagal

vagabundo

promíscuo / primata / profano

não sou pobre

nem rico

isso não existe

sou cretino

e juro que não sou

estúpido

Sou

erotomaníaco

amante

boêmio

beatnik

e atrevido

mas

não sou fascista

sou lascivo

desses

         sensuais

sou menino

sou rapaz

sou de todas

                as

brincadeiras

dessas revoluções

sou poeta

e não sou ladrão

         sou bandido

E DAÍ?

 

O Amor Que Não Fizemos

O Coração do poeta é um hospital onde morrem todos os doentes.

Augusto dos Anjos.

 

O corpo

está morto

o morto do corpo

é belo

A morte leve

            pousa

         e leva

o corpo

para o repouso

dos mortos

dos corpos mortos

dos membros

das asas

que não voam mais

na vida

voam na morte.

 

Bills Ant The Kids

Quarta Parte

A Vida

Um anjo sobrevôou baixo

demais e se espatifou.

Charles Bukowski

Roteiro  para uma canção baseado nas vozes de Janis Joplin Billie Holiday e Maysa.

 

I

Bem lá o fundo

beliscava-me

só no

       profundo

solidão em mundo

em mim

       refazendo

o sorriso

      isso em volver,

teu olhar

teu andar

tua dança

      em irmã

      no imã

nos acordes

da música

da manhã

no sentimento,

das caras

     ausentes

e sinto

    voar as penumbras

no ato de dormir

           de        ir

                 sumir

em si

sem querer

e ter o abraço

da irmã

sem essa manha

       essa manha

       esse arco

sem flecha

com dardo sem veneno

pr'a te ver tocando música

no ar.

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