ORFEU SPAM 10

Jornal Eletrônico de Poesias e Artes

Editor: Jayro Luna

ISSN: 1807-8311

Orfeu Spam é uma publicação trimestral de poesia, música e artes em geral.

São Paulo, abril/maio/junho de 2005.

Orfeu Spam está no ar desde janeiro de 2003

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Sessão Pim-Ball: A Nova Poesia Brasileira

1)Antologia de Poetas de Guarulhos: Emmanuel Vieira;

Raimundo Nonato de Oliveira; Roberta Villa; Nino Bandeira;

Márcia Serra; Fábio Mello; Alexandre Dias Paza e Emmanuel Guimarães

2)Mão Branca

Mão Branca é o pseudônimo do escritor . . ., que mora em Brasília, tem mais de 30 anos, conhece profundamente a perversidade humana e tenta de todas as maneiras ver-se livre das amarras da própria limitação. Gosta de Charles Bukowski e de Wander Wildner. Mão Branca vive tomando umas nos bares da cidade mas está sempre à paisana.Gosta de coisas simples mas limpinhas. Detesta politicagem e vive mandando tudo à merda. Gosta de futebol, mulheres, roquenrou e cerveja. Acha a cachaça a bebida dos deuses.(e-mail: giemini@gmail.com)

 

Um dia Charles Bukowski

Acordo de ressaca

A mulher diz

Você é babaca

O que fiz?

 

Expulso a vadia

Bico seu bundão

Vomito na pia

Faço um cagalhão

 

Sentado na privada

Aperto o baseado

Dou uma tragada

Fico chapado

 

Preparo uma bebida

Sem limpar a bunda

Começa a vida

Imunda

 

Escrevo besteira

Ânsia imposta

Sujo a cadeira

Rodela de bosta

 

Rodo na rua estranha

Procuro um bar

Reconheço uma piranha

Bêbado vou trepar

 

Drinque e fodelança

Desmaio satisfeito

Sinto a criança

Sorrindo no peito

 

Acordo de ressaca

Outro dia

Ando no fio da faca

Tenho azia

       (Mão Branca)

 

Anarchia

 

Homem julga homem

Segundo a lei

Regras que corrompem

Disso eu sei

 

Ordem no caos

Igualdades aos iguais

Justiça de deus

Tratamento de animais

 

Não há controle na vida

Só resta a moral

Decisão indefinida

Liberdade afinal

 

Homem respeita homem

Segundo a anarquia

As vaidades somem

Quem sabe um dia

      (Mão Branca)

 

Bêbado na mesa ao lado

  

Ele pergunta a mim

Será que vai chover?

Digo que sim

Educado ao responder

 

Ele fala de política

Espera meu comentário

Finjo-me um otário

Essa chata conversa etílica

 

O xarope baba até na pestana

Só quero beber minha cerveja

Não vou entrar na peleja

Discutir com o pé de cana

 

Ao fim ainda fiz amizade

Pagou-me uma bebida

Contou-me da vida

Apenas o evitei sem maldade

      (Mão Branca)

 

 

Antologia de Novos Poetas de Guarulhos (No Prelo)

 

Brinquedo do divino

  (Emmanuel Vieira)

 

                    -----%------

                  /    COLAR     \

                 |________________|

                 |                |

                %      CÊ        %

                 |       É        |

                 |      BOA       |

  -----%--------+----------------+------%--------

 /C|             |                |              |c\

| O| IMPURO NA   |                |              |O |

| L| CRISTANDADE | VOCÊ REFLETE O |  ÉS DEUSA    |L |

| A| DESGRAÇADO  | METAFÍSICO     |  DE TODA A   |A |

| R| PESTILENTO  |                |  BELEZA      |R |

 \ |             |                |              | /

  -----%--------+----------------+------%--------

                 |                |

                 |     SOU ANJO   |

                 |     CAIDO      |

                 |     DO CÉU     |

                 |                |

                 |________________|

                 |                |

                %     SOU RUIM   %

                 |     OU CAIM    |

                 |                |

                 |                |

                 |________________|

                 |      COLAR     |

                  \              /

                    -----%------

Praça Getúlio Vargas

                         (Raimundo Nonato de Oliveira)     

 

Quem me dera passar um dia sentado

No banco da Praça Getúlio Vargas

            [no centro da Cidade

 

E lá ficar bem próximo das coisas belas

lojas de roupas e conveniências

calçados  Restaurantes Chique

          [E De Pessoas Famosas

E Por Mais Que O Sol Ardesse Sobre Minha

Cabeça ,Estarei Feliz Porque Estarei Sentado

À Praça Getúlio Vargas; No Centro Da Cidade

 

Alternativa

               (Roberta Villa)

 

            Sozinha calada

                       na calada

                       na rua

                       na calçada

         Não há socorro

         Não há Alternativa

  

Sou a puta

Desta luta

Alternativa

Minha casa

Numa ponte

Alternativa

Voou sem asa

Entre o monte

Pobre horizonte

Alternativa

 

Minha vida

Na esmola
Alternativa

E a saída

Numa fonte
Alternativa

Fonte de renda

Fonte de venda

Lingeri de renda

Alternativa

 

Na entrada

De uma escola

Alternativa

Trafico o pó

E a cola

Alternativa

Moro no morro

Todo dia morro

Renasço na estrada

Alternativa

  

Minha amarga magoa

Uma droga afoga

Alternativa

É a marca incendeia

A eterna recaída

Alternativa

Corro no trafego

No meio dos carros

Do caras no trafico, corro

Alternativa

  

Vestido de renda

Bolsa na esquina

Alternativa

Vida de demônio

Corpo de menina

Alternativa

Nome anônimo

Mãe, antagonista

Pai, a vida

Alternativa

 

O ciclo é forte

Mais que a mente

Alternativa

Vontade de ser gente

Apesar da malandragem

Alternativa

Ser gente de verdade

Acontece e não mente

Minha lagrima

Alternativa

 

Sozinha, calada

 na calada

          ainda espero

uma Alternativa

                            justa

                        de Luta

Não há socorro

não ligo

      sigo

                                 Puta.

 

OS SINAIS

                                                                                  (Nino Bandeira)

                                                                                                              -27/11/2004-

“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”

                                                                                             -Chico Buarque-

Tinha que atravessar a rua. Precisava chegar à outra margem, alcançar a calçada em segurança, levar a cabo sua tarefa de sobreviver ao trânsito humano e mecanizado daquela alameda. Preso de pensamentos outros no decorrer do percurso, somente agora se dá conta do tamanho da empreitada. Parado, atônito, olhando para todos os lados, sente congelar-lhe os pés, calafrios percorrem-lhe as pernas, estremece, sua mente gira num turbilhão de imagens desconexas, sórdidas, mortais. Cabisbaixo, faz uma prece qualquer para qualquer divindade que possa pegar em sua mão e conduzi-lo à outra margem da estrada. Em vão, pois que todas as boas almas já se encontram lá, observam com suas expressões de escárnio sua derrocada. Pensa em voltar, desistir, abrir mão de um objetivo posto por conseqüência natural em sua vida: chegar ao outro lado da via e prosseguir com suas experiências sejam elas quais forem. Mas tem medo e isto o sufoca parado à beira do caminho movimentado sem que nada o alerte ou incentive, percebe-se só entre tantos que tanto quanto ele buscam o outro lado da viela. O tempo, seu velho companheiro que sempre o amparara em tudo ou quase tudo, dispara sem se incomodar com seu pânico. Só, acredita que não poderá chegar ao seu objetivo, o medo o prendeu ali, desacreditou-o de tudo e de todos. Ou quase todos.

Surge ao seu lado uma criança, aparentando doze anos ou menos, olha-o com simplicidade e censura, aponta-lhe o turbilhão à sua frente e convida-o a atravessar...Vai, deixa-se ir, o corpo transpirando e tremendo, sob o olhar crítico de um fedelho maltrapilho que o conduz. Atento, chega ao outro lado como se saído de uma batalha, roto e cansado, procura seu guia e não o encontra. Volta-se para a outra margem e busca o passado, não há nada a ser recuperado, sente-se vazio. Percebe que há outras margens a vencer, está cansado, com fome e sono. Fecha os olhos.

Acorda.

João Pessoa

              (Marcia Serra)

 

João Pessoa traduz-se ao som que soa

Criações aleatórias de desatinos,

Como Joãozinho de alferes Jacobina à toa

Espelhos refletidos, fleuma dos hinos.

 

Ao meu plano viso sombriamente Poe,

Ao fluxo penetro-me audição de Gibbons.

Recorrências de tantos, cito então Lord Byron,

A bela passeando! Melancólica aos sons.

 

Curvando a Assis, que tanto me alienou.

Lanço poesias, teorias e versos!

Com Joplin vitalizando os sons,

Supro “couver” de linhas opostas, cessou.

 

União única de arsenais preferentes,

Corrente linha de lãs transparentes.

Teço os ciclos à permissão dos deuses,

Traçado pelas Parcas o vão peses,

 

Socorro à caixa de Pandora ilustrada

Crendo nela que se há esperança

O colorir das virtudes de criança

Ao verde equilíbrio: homens de fé prostrada.

 

Cito em devaneios insaciáveis

Migração com obra pesada.

Critica ao poeta, soluções improváveis

Ironia sonora; da incontrolável risada.

 

Início de símbolo inexistente,

Invenção que vulga defender.

Ler e apreciar raros contentes,

Do fato tecido do sábio vender!

 

MORTE NO MORRO

            (Fábio Mello)

                                                                   

                                         Morre no morro um homem marrom.

Morre mirrado, seco, rasgado.

Morre com os braços amarrados.

Morre na marra: não era a hora.

Morre a farra, morre a fanfarra,

Morre a desforra. Morre uma porra,

Ou várias, de um ovário, ou de vários.

 

Morre um homem do morro marrom.

Um homem forte. Um homem bom.

Morre emburrado, frouxo, humilhado.

Morre embrulhado, porco, cagado.

Cada homem que morre

É menos um verso. Ou menos diversos.

 

Morre um marrom no morro do homem.

Morre seco, torto, sem sêmen.

Não teve momento para a última dose.

Não pôde dar as derradeiras baforadas.

Morre um homem corroído pela neurose

De viver sem quase nada.

Valdevino e os Barrocos II

(Alexandre Dias Paza)

 

Bruxas queimadas.

Torradas semitas

no patê vermelho

de perigo comum’antes,

tudinho separado

pelo muro-tempo.

Sólida destruição

Sólidas desculpas

Big equívoco

Big Boss

Deus pára-parnasiano

reto, porém no mucho,

torto.

Suásticas no bolso

na cara

luar do Sertão e

água de coco

               reno

            vação.

Redepois’atada

a fé em seu

nome e

em outros,

aviso aos navegantes:

Cuidado

                   Valdevino!

O Muro-tempo

foi rompido

e os loucos

vêm abaixo!

Suásticas no braço

água de cocô

barroco na cabeça

Cuidado

                    Severino!

Os seguintes

                podem ser

os seus

São Sebastião

                     me valha!

Mas pra quê

tanta flecha?

 

 

 

 

Anônimo Português, século XV, Inferno.

Poesia.

         (Emmanuel Guimarães)

 

Um consoante caminhou sozinho e se encontrou com um P perdido

Duas vogais perdidas na rua cruzaram com a A andando

Três vogais transeuntes fortinhas acharam o I indo à nova via

Quatro bocas que, oniscientes estreitadas iam agora por sorte, na vida

Cinco dias ate encontrarem com os dois perdidos amigos

Seis todos juntos fizeram a poesia...

 

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