ORFEU SPAM 10

Jornal Eletrônico de Poesias e Artes

Editor: Jayro Luna

ISSN: 1807-8311

Orfeu Spam é uma publicação trimestral de poesia, música e artes em geral.

São Paulo, abril/maio/junho de 2005.

Orfeu Spam está no ar desde janeiro de 2003

Voltar  

   Home Page

  Capa Orfeu Spam 10  

   Home Page

  Avançar

Sessão Metamoderna: Poesias de Jayro Luna

On The Road - ode sintético-fragmentária extraída do romance de Jack Kerouac...

A Antônio Bivar, Fred Góes e André Bueno

 

1

A mais incrível carona da minha vida

Estava prestes a surgir...

-A gente tá indo pra L.A.!

=O que é que vocês vão fazer lá?

-Porra, a gente não tem a menor idéia!

=Cê tem algum dinheiro aí?

2

-Também não há nada pra fazer em N.Y.!

=Parem as máquinas!

-Bem cara, estou indo para Frisco!

=Você já leu As Verdes Colinas da África?

Jeans e camisas vermelhas; cascas de amendoim,

Marquises de cinema, estandes de tiro ao alvo...

3

-Tchau, Ray. Quando é que a gente se vê de novo?

=Onde você arranjou essa pistola?

-Que é que você tá fazendo com essa pistola enfiada no rabo?

=Que porra! Que você quer dizer com:

“Estava procurando um esfregão”?

-O que a gente realmente precisa é tomar um trago!

4

Guitarras tiniam...

-Eu te amo!

=Sim. Sim. A gente transa mais uma vez e aí você vai.

Ela havia passado o verão colhendo maças,

As estrelas envolviam campos adormecidos,

-Você anda saindo com aquela sirigaita mexicana?

5

Começou a chover forte...

-Escute aqui, amigo, você está na direção do Leste

E não do Oeste! =Como você está magro!

Por onde andou durante todo esse tempo?

-Ah ouçam! Vamos todos ajoelhar e olhar no centro

da caixinha de música até aprendermos o seu segredo!

6

-O que você vai fazer com Galatéia?

=Oh veremos... quando a gente chegar a New Orleans...

-Oh, cara, é demais!

=Não liguem para nada,

Agora vamos para mais um de nossos delírios!

-Pra onde vamos? Pra onde vamos?

7

Mansas brisas sopravam do dique...

-O que você está querendo dizer?

=Passamos um dia louco em New Orleans...

-Que tipo de sentimento é esse?

E lá fomos nós, outra vez,

Para a Califórnia...

8

Vi um out-door que dizia: “Use tintas Cooper!”

-Tá bem... Vou usar...

Havia mistérios no ar...

=Acorda!

-O que é?

=Estamos atolados na lama!

9

-Por que você está triste, garota?

=Indo pra casa... Não tínhamos nenhum tostão...

Onde é que íamos ficar?

(Um Santo chamado Doutor Sax

vai destruí-la com ervas secretas...)

Certa noite ela desapareceu com a dona de uma boite...

10

-A piranha deu no pé!

Num silêncio mortal,

O vendedor juntou suas tristes panelas e partiu...

Num entardecer lilás

Caminhei com todos os músculos doloridos

Todos os meus planos desmoronaram...

11

Fundimos a cuca

Pensando para onde ir

E o que fazer!

-Qual é o problema?

(Foi uma pergunta lamentável...)

Na verdade, era justamente esse o x do problema...

12

(Ta-tup-EE-da... de-ra-RUP! Ta-tup-EE-da-dera... RUP!)

Uau, nas noites de Frisco,

O limite do continente e o fim

De todas as dúvidas...

-Que dizem as cartas?

=Bem o Ás de espadas está longe...

13

-Vou me embebedar hoje à noite!

=Ele é mesmo um sujeito muito maluco!

-Bem, sem velocímetro

Não tenho como saber

A que velocidade

Estou indo!

14

Adormeci

E acordei n atmosfera

Quente e seca

Duma manhã ensolarada...

-Chegaremos onde, cara?

=Não sei, mas temos que ir!...

15

Fiz algum dinheiro

Com a venda do meu livro...

(Ultimamente tenho me concentrado

nessa Dama de Ouros...)

-Você quer dizer que acabaremos como velhos vagabundos?

=Esfarrapados e sujos como se morássemos debaixo da ponte!

16

Lar em Missoula, lar em Truckee,

Lar em Operlousas,

Não há lar para mim...

Lar na velha Medora, lar em Wound Knee,

Lar em Ogallala,

Não terei lar até o fim...

17

Ficar em Ouro Preto, ir à Parati,

Passar em Juazeiro,

Não há um lugar para mim...

Se instalar em Salvador, conhecer Irati,

Nunca saber para o que vim...

18

-Ora, vamos em frente...

Ou será que devemos voltar?

=Foda-se! Vamos mergulhar nessa merda!...

(A aurora surgiu rapidamente

Numa névoa cinzenta...)

-Tudo bem, não direi mais nada!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Stella Mínima

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Engenho & Usina

 

Massangana

3 anos q não mói

Inda ontem plantei cana

            Se enroscando

Na curva

            D’Engenho Novo

F – fumaça

            Do bueiro

Santa Rosa

            Melando o céu

            De AZUL-ZUL-UL –UL!

Santa Fé?

C – cana

            de açú

car: a-a e a-Ú-a

K-S-K

Dr.

~.

Automóvel

 

Corre pela noite o dia em quatro rodas!

Eis (aponta meu indicador

para as luzes da cidade):

O que já era

Não voltará a ser jamais?

Ouço vozes nas calçadas, surdamente:

-“Vem cá, gatão!”

-zingr...fursh....rooomm...

-“30 paus o pro”-lembrei

de Maiakóvski- “graminha”

Só que decadente na urbanidade selvagem ocidental!

A cidade aglomera-se em intermináveis vocábulos

De luz néon e formas coloridas, enquanto out-doors

Desinstalam as outras dores de minha vista sem vérnaculo...

Espiam-me

Os “SS” da lua da Esso

- penso: o quanto é inútil

caetanear agora! –

Faço um “S”

na mudança das marchas,

pelo retrovisor

revejo as pernas

da moça que passou:

30 (ffffffreada leve: fechou o sinal)

p-

a-

us!

 

Sigma do Octante

(reprocessamento metamoderno do poema processo “A Ave” de Wlademir Dias-Pino com interferência do poema “Sólida” do mesmo autor)

“E o Palácio do Governo é todo de oiro,

à feição dos da Rainha do Adriático”

Mário de Andrade, Macunaíma.

a ave________________voa sólida

   |\                 /]    |

   | \               / [    ô

   |  \        _____/  ]    |       

   |   \      /        [    ô

   |    \    /         ]    |

   |     \  /          [    ô

   |      \/           ]    |

   |       \----------------/           

dentro_____ do seu centro

   ***             °\ 

      ***       °    \

         *** °        \

           ° ***       \

         °       ***    \

        °            *** \

      °                ***\

a ave__________ só_________lida

 

Voltar  

   Home Page

  Capa Orfeu Spam 10  

   Home Page

  Avançar