ORFEU SPAM

Jornal Eletrônico de Poesias e Artes

Editor: Jayro Luna

ISSN: 1807-8311

Orfeu Spam é uma publicação trimestral de poesia, música e artes em geral.

Orfeu Spam está no ar desde janeiro de 2003

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Sessão Marginália: Carlito Azevedo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na Noite Física

(desentranhado de um poema de Charles Peixoto)

A luz do quarto apagada,
na escuridão se destaca
a insônia que nos atraca,
dois gêmeos na bolsa d’água.
Ao despertar levo as marcas
que de noite rabiscavas
em minha pele com a sarna
ávida de tua raiva?
E em você a cega trama
algum mal pôde? ou maltrata
ainda, que penetrava
concha, espádua, gargalhada?
E, em nosso rosto essa raiva
aberta? que estranha lava
é essa que, rubra (baba
de algum diabo), se espalha?
A luz do quarto apagada,
na escuridão se destaca
a fúria que nos atraca,
dois gêmeos na bolsa d’água.

BANHISTA

Apenas
em frente
ao mar
um dia de verão -
quando tua voz
acesa percorresse,
consumindo-o,
o pavio de um verso
até sua última
sílaba inflamável -
quando o súbito
atrito de um nome
em tua memória te
incendiasse os cabelos -
(e sobre tua pele
de fogo a
brisa fizesse
rasgaduras
de água)

ESTRAGADO

   No jardim zoológico
   um ganso
   
   as patas afundam na lama
   e ele imperial
   como uma macieira em flor
    
   mas está estragado
   como qualquer um pode ver
   estragado
  
   pensa que foi para isso
   que o resgataram do dilúvio
   
   mas não

   resgataram o signo
   estragaram o ganso

 

A UMA PASSANTE PÓS-BAUDELAIRIANA

 

2ª versão (1995)

1.
sobre
esta pele branca
um calígrafo oriental
teria gravado sua escrita
luminosa
— sem esquecer entanto
a boca: um
ícone em rubro
tornando mais fogo
suor e susto,
tornando mais ácida e
insana a sede
(sede de dilúvio)

2.
talvez um
poeta afogado num
danúbio imaginário dissesse
que seus olhos são duas
machadinhas de jade escavando o
constelário noturno:
a partir do que comporia
duzentas odes cromáticas
— mas eu que venero (mais que o ouro-verde
raríssimo) o marfim em
alta-alvura de teu andar em
desmesura sobre uma passarela de
relâmpagos súbitos, sei que
tua pele pálida de papel
pede palavras
de luz

3.
algum
mozárabe ou andaluz
decerto te dedicaria um
concerto
para guitarras mouriscas
e cimitarras suicidas
(mas eu te dedico quando passas

no istmo de mim a isto

este tiroteio de silêncios
esta salva de arrepios)

NOVA PASSANTE


1. sobre
esta pele branca
um calígrafo oriental
teria gravado sua escrita
luminosa
— sem esquecer entanto
a boca: um
ícone em rubro
tornando mais fogo
suor e susto
tornando mais ácida e
insana a sede
(sede de dilúvio)

2. talvez
um poeta afogado num
danúbio imaginário dissesse
que seus olhos são duas
machadinhas de jade escavando o
constelário noturno:
a partir do que comporia
duzentas odes cromáticas
— mas eu que venero (mais que o ouro verde
raríssimo) o marfim em
alta-alvura de teu andar em
desmesura sobre uma passarela de
relâmpagos súbitos, sei que
tua pele pálida de papel
pede palavras
de luz

3. algum
mozárabe ou andaluz
decerto
       te dedicaria
um concerto
            para guitarras mouriscas
e cimitarras suicidas
(mas eu te dedico quando passas
no istmo de mim a isto
este tiroteio de silêncios
esta salva de arrepios)

 

 

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