Revista de Estudos Culturais e da Contemporaneidade - ISSN: 2236-1499

  

A construção da memória no romance
El entenado de Juan José Saer

 

Ms. Deolinda de Jesus Freire
Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
deofreire@uol.
com.br

 

A memória é um tema essencial e caro a dois campos de produção textual:
a
história e a literatura. No campo da literatura, é um recurso de tessitura da narrativa. A memória nunca significa apenas conteúdo de discussão, é também mecanismo de elaboração textual, base de constituição de representações comprometidas em maior ou menor grau com o verossímil (PINTO, 1998: 22). Apesar de ser gerada por uma percepção individualizada, a memória busca contornos coletivos, pois a literatura é uma das possibilidades de assentamento de uma memória coletiva, ainda que a forma de narrar seja individual.

Para Walter Benjamin (1993: 198), os camponeses e os marujos foram os primeiros mestres na arte de narrar. Os primeiros são herdeiros das histórias de suas terras, bem como de suas tradições, e responsabilizam-se pelo saber do passado. os marujos narram sobre as terras distantes, pois, como diz o povo, “quem viaja tem muito que contar”. O romance El Entenado, do argentino Juan José Saer, publicado em 1982, apresenta um narrador que, claramente, pertence ao grupo dos marujos, pois quem nos conta a história é um grumete que embarcou rumo às ilhas Molucas por volta do ano de 1516. Em poucas linhas o narrador nos notícia de sua vida, nos confidencia que é órfão de pai e mãe e se criou nos portos ao lado das putas, dos marinheiros e viajantes. Por esse motivo, tem uma ligação afetiva com os portos, afinal estes foram sua casa, e possibilitaram que ele conseguisse alistar-se como grumete na expedição rumo às Índias para fugir da miséria em que vivia.

A travessia rumo às novas aventuras dura longos três meses, os quais são qualificados de extremamente tediosos, afinal nenhum monstro daqueles tão famosos nas fábulas surgiu para quebrar a monotonia. Assim que avistaram terra e desceram da embarcação, o grumete nos apresenta a primeira impressão, pareciam ter chegado ao paraíso: uma terra excessiva e generosa, com toda variedade animal, vegetal e mineral. Uma região mansa e terrena, parecia benévola e, sobretudo, real. Eles retornam à embarcação e continuam remando em direção ao sul. Nessa paisagem paradisíaca, faltam apenas os homens. Essa ausência cria a ilusão de que a vida ali acabava de nascer. O próprio narrador nos diz que aquela terra tinha um cheiro de origem, como se estivesse nascendo.

Com a sensação de estar fundando uma nova terra, o grumete é convocado para fazer parte do grupo que descerá da embarcação junto com o capitão para o reconhecimento daquela região. No silêncio total, em que o narrador observa todos os movimentos do capitão, parece que este se dá conta de um erro terrível, o qual o leitor nunca saberá qual é, pois é nesse momento de perplexidade do capitão que o grupo sofre uma emboscada dos indígenas. O grumete, e também o leitor, se assustam ao perceber que todos os companheiros deste estavam caídos no chão atingidos por uma flecha na garganta. O narrador percebe ser o único sobrevivente. É nesse ponto da narrativa, que o leitor se dá conta de que a expedição da qual participou este grumete refere-se à América Hispânica. Dessa forma, o grumete imprime à sua história individual uma forte carga coletiva ao acessar a memória das crônicas da conquista, com as quais mantém intensa intertextualidade ao longo de toda a narrativa.

O fato histórico tecido nas entrelinhas da narrativa refere-se à expedição de Juan Díaz de Solís, que, em 1516, acompanhado de dez tripulantes, desembarcou nas imedia­ções da ilha Martín García na região do Rio da Prata. Solís e seus companheiros foram mortos em uma emboscada pelos indígenas, provavelmente guaranis ou charruas; os tripulantes das embarcações, que presenciaram a cena, voltaram para a Península Ibérica. Após dez anos, a coroa castelhana empreendeu uma nova exploração na mesma região a cargo do Piloto Mor do Reino, Sebastián Gaboto. Segundo algumas crônicas da época, Gaboto teria resgatado um sobrevivente da expedição de Solís: o grumete Francisco del Puerto, que teria convivido com os indígenas durante estes dez anos e que, após ser recolhido, foi levado de volta à sua terra. Esta é a única notícia que se tem sobre este sobrevivente, pois não há nenhuma outra referência sobre sua vida na tribo indígena ou após seu retorno à Península (ROMANO THUESEN, 1995: 43). Assim, esta personagem histórica sem grande importância para a expedição e da qual não muita informação será o elo com o narrador do romance El entenado.

Apesar de estar baseada em um fato histórico, afinal documentos que comprovam que houve realmente um sobrevivente dessa expedição encarregada de explorar a região, a narrativa não traz nenhuma informação de tal acontecimento: nenhum nome, nenhuma data, nenhuma referência geográfica. A ausência de dados e nomes impede a identificação do leitor com um ambiente ou indivíduo determinado, o que converte o narrador em uma problemática universal. Tal problemática está relacionada à chegada dos conquistadores e colonizadores castelhanos ao Novo Mundo e às teorias que se criaram ao longo dos séculos sobre os habitantes dessa região. Essas teorias tentaram criar um determinado desenho e uma determinada memória sobre a conquista e colonização castelhana, as quais são resgatadas no romance a partir das memórias desse narrador, que decide contar sua história no momento final de sua vida, ou seja, na velhice quando está com mais de 70 anos. É nesse momento de sua vida que ele parece ter a experiência da revelação e, finalmente, desvendar uma dúvida que lhe acompanhou durante toda sua vida e que se torna o eixo da narrativa: o porquê de sua sobrevivência e permanência naquelas inóspitas terras do Novo Mundo e quais as conseqüências dessa experiência em sua vida no Velho Mundo.

A narrativa d’El entenado move-se entre duas dimensões temporais: o presente e o passado. O presente é marcado pela velhice do narrador, como apontado, que decide viver na cidade, porque a vida é horizontal, ou seja, ideal para um velho. Esta velhice se contrapõe à juventude vivida em contato com a natureza do Novo Mundo: rios, céu, estrelas, árvores. Nas primeiras linhas do romance, nos é apontada a contraposição entre o ‘aqui’, a cidade que dissimula e oculta o céu, e o ‘allá’, em que as estrelas eram tantas que se tinha a impressão de poder tocá-las ou ser ‘aplastados’ por elas. Dessa forma, essa memória de um ‘allá’ é resgatada para marcar a contraposição entre o velho e o novo, entre o conhecido e o desconhecido, entre a velhice e a juventude, entre o que se vive e o que se viveu. No lado desconhecido de sua vida, representado pelo Novo Mundo, está a razão de seu viver e o porquê da escritura de sua história. É necessário lembrar e escrever sobre esse passado como uma forma de compreender sua própria existência no presente.

Entretanto, o narrador, que nunca é nomeado, revisita o passado com o olhar do presente. A memória é o recurso para a recuperação de seu passado e o da tribo, pois ambos são rememorados por um único ponto de vista: o do narrador em primeira pessoa, ou seja, também personagem. Assim como ocorre em Proust, não é uma vida contada como de fato ela foi, mas sim lembrada por quem a viveu (BENJAMIN, 1993: 37). Porém, diferentemente de Proust, a manifestação da memória aqui não é involuntária, mas sim um ato consciente de recuperar e explicar um passado individual com uma forte carga coletiva, afinal aquela tribo indígena depende de sua escritura para não ser esquecida. O recurso da memória é essencial na construção da narrativa porque um acontecimento vivido é finito, ou pelo menos encerrado na esfera do vivido, ao passo que o acontecimento lembrado é sem limites, porque é apenas uma chave para tudo o que veio antes e depois. Num outro sentido é a reminiscência que prescreve, com rigor, o modo da textura (BENJAMIN, 1993: 37). A memória atribui importância a tudo que evoca o passado, essa evocação assegura sua manifestação no presente, além de permitir e guiar uma interpretação ou ressignificação no futuro.

No caso d’El entenado, o que parece importar de forma insistente ao narrador é um momento específico de sua reminiscência, um momento que pode levá-lo a desvendar o porquê de sua sobrevivência e permanência naquela tribo, sem que fosse devorado em um ritual canibal, como aconteceu com seus companheiros, os quais foram mortos no momento de sua captura. O canibalismo, e a discussão em torno desse tema, é um dos momentos cruciais da narrativa. Esse resgate marca um importante elo da narrativa com as crônicas da conquista, bem como com o homem do século XVI, pois o interesse europeu por esse tema tornou-se uma obsessão nos anos que se seguiram à chegada dos castelhanos ao Novo Mundo (PAGDEN, 1988: 118). Francisco de Vitoria, mestre da Escola de Salamanca, atesta em sua obra De Indis que a razão central de que os homens civilizados não se comem uns aos outros operava em um nível mais profundo do que acreditavam alguns filósofos da época. Os indígenas, além de estarem cometendo o pecado da ferocidade ao comerem-se uns aos outros, transgrediam a lei natural que impedia o assassinato de homens inocentes, além de violarem as divisões hierárquicas da criação. Afinal, na natureza, nenhum homem possui outro tão absolutamente que possa usá-lo como alimento (PAGDEN, 1988: 125).

Entretanto, o narrador d’El entenado sugere que o canibalismo operava em uma dimensão ainda mais complexa do que a defendida por Vitoria, dimensão esta que, provavelmente, nenhum homem do século XVI poderia alcançar. Para ele, a tribo não comia carne humana para se alimentar, como acreditaram muitos dos cronistas e filósofos da época, tampouco havia nesse ritual a busca pelo prazer. O que ele pôde perceber em sua longa convivência com os ‘colastiné’ é que aquele gesto coletivo era simplesmente necessário para a sobrevivência da tribo. Tal teoria revela extremo anacronismo com o pensamento do homem do século XVI, pois não seria plausível de ser elaborada por estudiosos e cronistas da época. Afinal, exigiria destes uma aceitação do outro e de uma cultura tão diferente da do europeu.

Para chegar à sua teoria sobre o canibalismo, o narrador se muniu da observação minuciosa dos passos de tal prática ao longo dos anos que conviveu com aqueles indígenas. A repetição do ritual antropofágico permitiu que o grumete chegasse à conclusão de que este sempre acontecia no verão. Era na chegada desta estação que a disciplina espontânea da tribo se deteriorava e a atitude dos índios mudava, pois estes deixavam de ser corteses e distantes para tornarem-se totalmente indiferentes, andando pela tribo como se fossem sonâmbulos. Segundo o narrador, parecia que os indígenas pressentiam a falta de algo, como se procurassem sem saber o quê, nem mesmo sabiam se haviam perdido algo. Este estado prenunciava o preparo das flechas e a saída em canoas para realizar a busca necessária para o ritual. Retornavam, ao anoitecer, com alguns corpos e com um prisioneiro. Começava a repetição do ritual, o qual o narrador tinha presenciado pela primeira vez com os corpos de seus companheiros. Porém, havia uma diferença, que para o narrador era sua própria razão de viver, afinal os prisioneiros  sabiam o que ele nunca soube: o porquê estavam ali naquela tribo e qual era o seu papel. Esse foi o objeto de reflexão de toda a vida do narrador e a terrível dúvida que o acompanha até o momento em que tece a narrativa, momento este em que ele ainda não tem certeza de ter compreendido o seu papel:

“(...) y hoy todavía, sesenta años más tarde, mientras escribo, .... no estoy seguro de haber entendido, aun cuando ese hecho haya sido, a lo largo de mi vida, mi único objeto de reflexión, el sentido exacto de esa esperanza.” (SAER, 1988: 101)

 

Depois de dois ou três meses do ritual, um fato atormentava ainda mais o narrador, pois, diferentemente do que acontecera com ele, o prisioneiro era colocado em uma canoa e partia com ar de superioridade. Essa partida o desconcertava ainda mais, afinal todos os prisioneiros partiam, com exceção dele. Com o ritual, os índios saíam de um tipo de buraco negro, como se pudessem ter recuperado o sentido da vida. Apesar das inúmeras tentativas, o grumete não conseguiu saber nem entender completamente o porquê do ritual, pois os índios não se lembravam, ou não queriam lembrar, do que acontecia durante a comilança. O esquecimento é uma das partes mais obscuras da memória e das mais férteis, é o lugar incerto da peregrinação e da busca. Segundo Le Goff (1984: 13), o que se esquece é tão importante quanto o que se lembra, pois o que você lembra se transforma em um ato de dominação. Dessa forma, os esquecimentos e os silêncios da história são reveladores dos mecanismos de manipulação da memória coletiva.

Depois de muitos anos de convivência com aqueles indígenas e presenciando, verão após verão, o ritual do canibalismo, o narrador é colocado em uma canoa e mandado embora. Após remar por um dia inteiro, é encontrado na beira de um rio por homens barbudos com armas de fogo; imediatamente os reconheceu, pois os havia visto durante a infância nos portos da Península. A primeira característica que distinguiu o narrador dos índios e fez com que não fosse morto por aqueles homens foi sua barba. A partir dessa cena, inicia-se a terceira etapa de sua vida: o retorno à Península. Porém, a dúvida sobre sua permanência na tribo o acompanhou por toda sua vida, de alguma forma esta dúvida transfere-se para o sentido de sua própria existência no mundo e o motivo da escrita sobre sua história e também a da tribo.

É essa dúvida, desvendada pelo narrador apenas no final da narrativa e também de sua vida, que envolve o leitor para que este participe da revelação tanto do sentido da reminiscência como do porquê de escrever sobre os Colastiné. na Península, o narrador adquire as ferramentas necessárias para o que acredita ser sua missão: aprende a ler e a escrever. No momento em que escreve suas memórias, reconhece a importância desse aprendizado, pois é a escrita que justifica sua existência. Assim, a construção da narrativa é a busca de um sentido, o desdobramento de uma pergunta que se encaminha para uma resposta reveladora, retida no momento simbólico, ou seja, numa parte privilegiada por encarnar a história como um todo. As muitas histórias que se constroem na narrativa a partir de um mesmo ponto se articulam e são legatárias da dúvida de origem, que é a dúvida sobre sua própria existência.

Para responder, em parte, a essa dúvida, o narrador volta a uma imagem gravada em sua memória: o momento em que foi colocado em uma canoa e mandado embora da tribo. Ao resgatar essa imagem, o narrador percebe e nos revela que, para realizar os rituais canibais, a tribo precisava eleger um expectador para ser, como ele, “Def-ghi”. Nome que sempre era atribuído ao prisioneiro e que foi atribuído a ele no momento do ataque à expedição da qual fazia parte. Este espectador, depois de dois ou três meses, no início do outono, era devolvido à sua tribo de origem. Ele, o grumete, havia permanecido na tribo, simplesmente porque os índios não sabiam para onde deviam enviá-lo. Quando viram homens parecidos com ele pelas redondezas, mandaram-no de volta.

O nome dado aos prisioneiros expectadores, “Def-ghi”, significava, entre outras coisas, aquele que se coloca em lugar de um ausente e também aquele que se separa do grupo. Ao fim e ao cabo, “Def-ghi” era o encarregado de perpetuar a tribo com sua memória além das fronteiras do mundo. A tribo trazia um sobrevivente para assistir ao ritual para que depois este se tornasse o narrador além das fronteiras tanto geográficas como memorialística da tribo. Dessa forma, parece que a vida do narrador é preservada para que ele possa contar a história da tribo, mesmo porque esta foi, depois da sua partida, dizimada pelos conquistadores. Essa era a razão e o porquê de sua existência: narrar a história daquela tribo para que esta não fosse esquecida, o recurso utilizado, obviamente, é a memória. O narrador usa da memória como recurso para tentar compreender os indígenas e seus rituais como também a sua própria existência. Afinal, não se pode esquecer o passado, pois o presente não tem sentido sem o parentesco com ele. A função do passado aqui é tentar responder aos incômodos do presente, principalmente de um momento crucial para a América: a chegada do outro.

O autor do romance, Juan José Saer, ao citar a obra Zama de Antonio Benedetto, afirma que “no se reconstruye ningún pasado sino que simplemente se construye una visión del pasado (...) Al hacer más evidente este pasado, al convertirlo en pasado crudo, nítidamente alejado de la experiencia narrativa, el narrador no quiere sino sugerir la persistencia histórica de ciertos problemas”. Um dos problemas que Saer propõe ao construir a narrativa d’El Entenado, e que persiste até os nossos dias, é a chegada dos espanhóis ao continente americano, nomeado comoNovo Mundo’, e a problemática que envolveu os debates sobre o homem que vivia aqui e seu próprio reconhecimento, assim como sua destruição. Problemas que afloravam no diário e nas cartas de Colombo e que alcançaram um grau de seriedade científica nos textos de Oviedo (GERBI, 1996: 13).

Para discutir a persistência histórica de certos problemas, cuja origem data da fundação de uma região, a do Rio da Prata, Saer apresenta uma narrativa cujo narrador, praticamente sem origem por se tratar de um órfão criado nos portos da Península, recorre à sua memória para dar sentido à persistência desses problemas e à sua própria existência, intrinsecamente relacionada à chegada dos espanhóis no Novo Mundo. Assim, a memória é um recurso que aponta para uma problemática coletiva. O narrador opera uma leitura individual de um passado possível ou de uma representação possível de um momento de fundação do que futuramente viria a ser uma nação.

O passado é o substrato tanto da memória como da história, porém a dissonância entre os dois fazeres é grande: a memória tecida sobre um determinado evento dificulta a percepção histórica que se pode ter desses episódios, refaz o itinerário de atribuição de sentidos, constrói um fato oferecendo explicação coerente a episódios, na origem, desconexos. Mais do que pura representação, a memória afirma-se, diferentemente da história, pela capacidade de assegurar permanências, manifestações sobreviventes de um passado, muitas vezes, sepultado, sempre isolado do presente pelas muitas transformações, pelos cortes que fragmentam o tempo. A memória como lugar de persistência, de continuidade de capacidade de viver o hoje inexistente. Mais aparentada à ficção do que à história, a memória atribui importância a tudo que evoca o passado e assegura sua manifestação no presente. A memória recupera a história vivida, enquanto experiência humana de uma temporalidade, tornando-se espaço de problematização e de crítica. A memória é sempre suspeita para a história, cuja verdadeira missão é destruí-la e reprimi-la, seu lugar de sobrevivência permanece no discurso literário.

 

 

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