ORFEU SPAM 23/24

Jornal Eletrônico de Poesias e Artes

Editora: Epsilon Volantis

ISSN: 1807-8311

Orfeu Spam é uma publicação trimestral de poesia, música e artes em geral.

São Paulo, março-abril de 2011/ setembro-outubro de 2011.

Orfeu Spam está no ar desde janeiro de 2003

 

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ANTÓNIO BABOSA BACELAR  

     António Barbosa Bacelar (1610-1663) nasceu em Lisboa de uma família remediada, frequentando o Colégio de Santo Antão e indo depois estudar Direito para Coimbra. Tendo-se dedicado à magistratura, foi corregedor em Castelo Branco, provedor em Évora, desembargador no Porto e magistrado na Casa da Suplicação em Lisboa. A par do trabalho no âmbito da justiça, dedicou-se à escrita, nomeadamente à historiografia e à poesia. Dentro da historiografia, escreveu a Relação Diária do Sítio e Tomada da Forte Praça do Recife, publicada em Lisboa em 1654, a Relação da Vitória que Alcançaram as Armas do Muito Alto e Poderoso Rei D. Afonso VI, em 14 de Janeiro de 1609, Uma e Outra Fortuna do Marquês de Montalvor, D. João de Mascarenhas e a Vida de D. Francisco de Almeida. A sua obra poética está essencialmente publicada na Fénix Renascida.

 

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A umas saudades

Saudades de meu bem, que noite e dia
A alma atormentais, se é vosso intento
Acabardes-me a vida com tormento,
Mais lisonja será que tirania.

Mas, quando me matar vossa porfia,
De morrer tenho tal contentamento,
Que em me matando vosso sentimento,
Me há-de ressuscitar minha alegria.

Porém matai-me embora, que pretendo
Satisfazer com mortes repetidas
O que à beleza sua estou devendo.

Vidas me dai para tirar-me vidas,
Que ao grande gosto com que as for perdendo
Serão todas as mortes bem devidas.

 

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A uma ausência

Sinto-me, sem sentir, todo abrasado
No rigoroso fogo que me alenta;
O mal, que me consome, me sustenta;
O bem, que me entretém, me dá cuidado.

Ando sem me mover, falo calado;
O que mais perto vejo, se me ausenta,
E o que estou sem ver, mais me atormenta;
Alegro-me de ver-me atormentado.

Choro no mesmo ponto em que me rio;
No mor risco me anima á confiança;
Do que menos se espera estou mais certo.

Mas se de confiado desconfio,
É porque, entre os receios da mudança,
Ando perdido em mim como em deserto.

 

 


 

 


 
À variedade do mundo

Este nasce, outro morre, acolá soa 
Um ribeiro que corre, aqui suave, 
Um rouxinol se queixa brando e grave, 
Um leão c'o rugido o monte atroa.

Aqui corre uma fera, acolá voa 
C'o grãozinho na boca ao ninho üa ave, 
Um demba o edifício, outro ergue a trave, 
Um caça, outro pesca, outro enferoa.

Um nas armas se alista, outro as pendura 
An soberbo Ministro aquele adora, 
Outro segue do Paço a sombra amada,

Este muda de amor, aquele atura. 
Do bem, de que um se alegra, o outro chora... 
Oh mundo, oh sombra, oh zombaria, oh nada!


Fénix Renascida, II

 



Em consideração de um rio

Vês este, ó Fabio, que el crystal ufano
Rico de perlas, rio bien nascido,
Despierta blando, com sutil ruido,
– Dulce Sirena del sentido humano?

Pues arrojado al mar, al Oceano
Camina a sepultarse en justo olvido;
De lo dulce, que eterno ha presumido,
Verá que ha sido presuncion en vano.

Retrato, ó Fabio, de la pompa humana!
Por lo dulce no gosa de una vida,
guando lo amargo siente de una muerte.

Ay de aquel que se fia en pompa vana!
Pues es, Fábio, la pompa de la vida,
Rio que corre al golfo de la muerte.


Fénix Renascida, IV

A UM PRADO FLORIDO

 

Do que sou me vi já mui diferente,

Alegre tu virás a estar de luto:

Qual te vejo, me vi com flor, e fruto,

Qual me vês, te verás bem descontente:

 

Dá-te agora tributo o estio ardente,

Eu ao frio inverno dou tributo,

Assim nos fez o tempo sempre astuto,

Se triste agora a mim, a ti florente:

 

Não queiras fazer certo o meu receio,

Pois tens exemplo em mim: Ah quem me dera,

Que em mim escarmentaras teus enganos!

 

Mas lá virá o tempo horrendo, e feio,

Donde perca seu brio a primavera,

E te sirvam de dor meus desenganos.

 

 

Fénix Renascida

 

In “Breve Antologia Poética do Período Barroco”

Livª. Civilização Editora – Porto e Contexto Editora – Lisboa

 

 

 

 

Capa do livro escrito por Bacelar, acerca da recuperação pelos Portugueses dos territórios em mãos do Holandeses.

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