ORFEU SPAM 23/24

Jornal Eletrônico de Poesias e Artes

Editora: Epsilon Volantis

ISSN: 1807-8311

Orfeu Spam é uma publicação trimestral de poesia, música e artes em geral.

São Paulo, março-abril de 2011 / setembro-outubro de 2011.

Orfeu Spam está no ar desde janeiro de 2003

 

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Sessão Pim-Ball: Metapoemas: Mário Quintana, Juliana Oliveira, Adélia Prado, Edivaldo Silva, Madalena Barranco, Bruno Ramos, Denise Milan & Haroldo de Campos

 

 

Os poemas são pássaros que chegam...

 

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mário Quintana 

_________________________________________________

Metapoema

Sei, amiga, que há um poema
Cá dentro em meu peito
Que não quer sair;
Um poema que lateja
De um jeito
Que me faz sorrir.
São vãs as tentativas de tê-lo,
De colhê-lo
Em matéria,
Visto que poesia é coisa séria:
Ela é parte de quem a cria.
Este é o poema que eu queria.
E, nesta ânsia de concebê-lo,
Penso em ti, doce criatura,
Pois que és a última esperança
Da ardente chama que cura.
Mas... eis que percebo
Tênues manifestações de um recém-poema,
Que, enfim, nasceu
Sorrindo
Para o mundo.
 

Edivaldo Silva

__CENTELHA__

“No fundo de cada novo pensamento humano,

de cada pensamento de gênio ou mesmo de cada

pensamento que emerge do cérebro como altíssima centelha,

alguma coisa há que não pode ser comunicada aos outros...

E todavia bem pode ser que essa seja a idéia

mais importante entre todas.”

 

Dostoiéviski

 

A mão escreve

Num fluxo

Pensamento/idéia,

A borracha passa, tudo vira pó...

 

Reescreve.

Enxurrada de palavras...

Na mente, ideias

Formadas, prontas, elaboradas.

Volta a borracha... o pó...

 

O poeta é a mão

Que escreve

Apaga

Re-lê

Pondera.

 

Exprime o inexprimível

Aos olhos sensíveis

Que lêem as palavras...

E o pó.

 

 

Juliana Oliveira

__________________

 

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A Metáfora é a Hélice da Imaginação

Imagens são helicópteros

que pensam na vertical

perfuram a atmosfera

e viram nave espacial.

 

Madalena Barranco

Antes do Nome  

 

Não me importa a palavra , esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os sítios escuros onde nasce o "de", o "aliás",
o "o", o "porém" e o "que", esta incompreensível
muleta que me apoia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infrequentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.

 

Adélia Prado

 

_________________________

 

 

Denise Milan e Haroldo de Campos: Diálogos Concretos

Metapoesia

 

Meu poema é fresta,
Brecha, espera, anseio, força e dor.
A letra caída, embebida,
Canto de espasmos,
Aperto, escárnio
Arquitetura do esgoto
Mofo... Poeira.
Lodo.

Meu poema é curva de rio,
Assovio sem ninho,
Pressa de fugitivo, desvario
 "Nonsense", desalinho.

Meu poema é favela,

Montoeira de pernas,
Olho por olho... A pena...

Sem corpo, sem letra sem rima...
Meu poema é vírus
Virtual da latrina
É um xingo ao estilo.
É um lixo
Um castigo...

Meu poema é um nicho
É um bicho abrindo as patas
É um mijo
É a urina riscando a ribalta.
É a esquina.

É a quina
A língua na saia mais justa.
A lima,
A puta,
É a poesia mais bruta.

Minha poesia é minha.

Bruno Ramos

 

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