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Almeida Garrett – O Arco de Sant’Ana

Resumo da Trama:

Do Volume I (por Oliveira Marreca):

“É no Porto. Reina D. Pedro Cru. É senhor temporal e espiritual do burgo o bispo D. Egídio (se a crônica lhe acerta com o nome). E este bispo, esquecido de sua esposa em Cristo, gosta de mulheres casadas, e das solteiras também. Aninhas, uma rapariga que mora no Arco de Sant’Ana, e tem ausente o marido, é requestada por ordem do prelado por Pero Cão, o mordomo ostensivo e mercúrio secreto de sua reverendíssima. Resiste; e como resiste, numa noite é raptada. Uma vizinha e amiga sua íntima, ao levantar-se de manhã seguinte, descobre o rapto, e, atinando com a origem dele, fez amotinar o povo. O povo amotinado corre em tumultos aos paços episcopais, vociferando palavras de indignação. O Bispo, paramentado para sair na procissão de S. Marcos, apresenta-se ao torpel dos populares com aspecto composto e imperturbável. Estes titubeiam. Mas depois de uns tropos momentâneos, renasce mais tremenda a sua irritação. Aparece então Paio Guterres, um clérigo muito benquisto e respeitado, e à sua voz persuasiva é dissipado o tumulto.

Contudo o rapto não ficara por vingar; por que se o grande reparador não se mostra ainda, já se adivinha. El Rei já está nas vizinhanças do Porto; vem punir o atentado do Bispo, por aviso que lhe deram. Levou-lho a instigações da amiga de Aninhas, um D. Vasco, estudante e (afilhado?) do Bispo. O segundo volume o dirá...”

(em: Teófilo Braga: “Elaboração do ‘Arco de Sant’Ana”, O Arco de Sant’Ana de Almeida Garrett. Rio de Janeiro, Ediouro, 1966, p. 17)

Do Volume II:

Vasco vai conversar com a “bruxa de Gaia”, mulher marginalizada e temida na cidade do Porto, que só não fora para a fogueira, como queria o bispo, por intercessão de Paio Guterres que a defendia das intenções inquisitoriais do bispo. Guiomar, diz ela se chamar, e conta a Vasco a história de sua vida, que este de algum tempo a conhecera e sobre ele exercia uma certa proteção. Conta, em prantos, o seu passado, que era filha de um judeu muito influente na política local, Abraão Zacuto, que era um grande físico (alquimista) ombreando com Avicena. Certa feita, um cavaleiro fora acolhido na casa desse Abraão por estar muito ferido de uma batalha. Quando já se recuperava, o cavaleiro, numa noite, aproveitando a ausência de Abraão Zacuto, violenta sua filha que o cuidara durante toda sua recuperação. Tendo vergonha de contar o acontecido, a filha foge de casa. Pouco tempo depois, sem encontrar a filha, Abraão Zacuto e sua mulher Sara morrem. A filha, que até se chamava Éster é recolhida pela família de Paio Guterres, que ainda muito jovem, dedica-se a cuidar da moça até que nasce seu filho. Guiomar, conta para Vasco que ela é Éster e que seu filho é ele, Vasco. Vasco pergunta sobre a identidade de seu pai, esse cavaleiro que desonrara sua mãe. Guiomar (Éster) nega-se a revelar sua identidade. Vasco volta para a cidade, onde é nomeado caudilho da revolta contra o domínio do Bispo pelos populares chefiados por Rui Vaz sob o Arco de Sant’Ana numa investidura semelhante à dos cavaleiros medievais, com o toque da espada sobre a cabeça. Vasco, Rui Vaz e os populares planejam os passos da revolta e conseguem a aprovação do “Senatus Populusque” que lhe concede o estandarte da cidade. Enquanto isso, o Bispo em sua fortaleza episcopal, bem guarnecida, tentava nos labirintos subterrâneos violentar Aninhas, esta consegue safar-se no momento derradeiro por intermédio da ajuda de Paio Guterres. A revolta popular se aproxima da fortaleza, inicia-se luta acirrada, com muitas mortes. Num momento decisivo, quando Vasco está prestes a vencer o Bispo, este usando de artimanhas, consegue um armistício até à meia-noite. Era uma cilada, para ganhar tempo, e numa rápida manobra recupera o domínio da situação. Porém, chega para recuperar seu poder, o rei D. Pedro o Cru, que domina o bispo e retira-lhe do bispado. Surgem nessa cena final, a mãe de Vasco que revela a identidade do pai do jovem caudilho, é o próprio bispo; Aninhas que é ovacionada pelo povo e Gertrudes, a amiga de Aninhas e amada de Vasco. Vasco pede pela vida do bispo. O Rei poupa a vida do desonesto bispo, mas lança-o ao exílio em Bruges. Vasco e Gertrudes se casam numa cerimônia sob o arco de Sant’Ana e Paio Guterres é nomeado o novo bispo que batiza Éster. Pero Cão surge enforcado numa figueira, ao que parece, num ato final, imitando o gesto de Judas.