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Resumo de A Ilustre Casa de Ramires, Eça de Queirós.

9; A Ilustre Casa de Ramires, publicado em 1900, apresenta duas narrativas ao mesmo tempo: a primeira é a vida do fidalgo Gonçalo Mendes Ramires, o protagonista; a segunda, a de Trutesindo Mendes Ramires, um antepassado.

A forma encontrada por Eça para entremear essas duas histórias foi muito inteligente: o próprio Gonçalo escreve uma novela intitulada A Torre de D. Ramires. O objetivo de Gonçalo, ao escrever a novela, é sua promoção política na velha aldeia de Santa Irenéia. Deveria assim, publicá-la nos Anais de Literatura e História, a convite de seu amigo José Lúcio Cavalheiro, diretor dessa revista.

Desse modo, o leitor vai tomando conhecimento da vida de Trutesindo Mendes Ramires: ele assistira à morte de seu próprio filho, no alto de sua torre, e tramara depois uma vingança cruel contra os culpados. O modo como Gonçalo narra sua novela faz lembrar os estilos de Garrett, Alexandre Herculano e Rebelo da Silva, ficcionistas românticos voltados epicamente para o passado.

Em oposição a estes estilos, a ação atual, isto é, a vida de Gonçalo, na aldeia de Santa Irenéia, é mais leve, evidenciando-se a ironia de situações. Assim, enquanto na novela A Torre de D. Ramires Trutesindo defende a casta familiar até as últimas conseqüências, na vida real Gonçalo subverte-se por interesses políticos. Aproxima-se de André Cavaleiro, Governador Civil do Distrito (contra quem escrevera artigos denunciando seu dom-joanismo e despotismo), mesmo sabendo que ele cortejava sua irmã, Gracinha, esposa de José Barrolo (apelidado de Bacoco).

Gonçalo está consciente de que sua dignidade está perdida e busca a salvação: o casamento com Ana Lucena, viúva rica e bonita, embora neta de carniceiro e irmã de assassino.

Mas isso não era problema: o mesmo tinha acontecido com relação aos seus ascendentes... Com o dinheiro do casamento, restituiria à velha torre seu esplendor de outras eras. Mas também aí não encontrou uma saída fácil: seu amigo Tito (na verdade amante da viúva) confidenciou-lhe que a escolhida tinha ou tivera um ou mais amantes, razão suficiente para afastar as pretensões do fidalgo.

Gonçalo adotou então uma atitude mais positiva: agride camponeses que o destrataram (anteriormente fugira de um deles), mostra a carta anônima que Barrolo recebera (mas não compreendera) à irmã Gracinha e exige que ela ponha fim aos encontros com o governador. Agora, com a consciência equilibrada, tudo parece encaminhar-se bem: é recebido na Assembléia como vencedor de uma batalha ilustre, recebe visitas, telegramas e notícias em jornal de Lisboa. É possível então terminar a novela de seus antepassados. O reconhecimento popular leva-o ao cargo de deputado; já o reconhecimento oficial dá-lhe o título de marquês de Treixeiro: recebe-o como paga dos favores que o governador André Cavaleiro recebera de sua irmã.

 

 

Adapt. de texto de Benjamin Abdalla Jr.