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Ana Hatherly

Poeta, romancista, ensaísta e tradutora, Ana Hatherly iniciou a carreira literária em 1958. 

Tendo sido um dos principais elementos do grupo de Poesia Experimental nos anos 60 e 70, o seu trabalho está representado nas mais importantes Antologias e Histórias da Literatura Contemporânea de Portugal, Brasil, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos, Dinamarca, Suécia, Holanda, e República Checa. 

É também autora de várias traduções para português de obras inglesas, francesas, italianas e espanholas. 

Durante as últimas duas décadas, tem-se dedicado ao estudo da literatura portuguesa e espanhola do "Siglo d'Oro", tendo publicado vários ensaios e comunicações sobre o tema em várias das mais conceituadas publicações literárias de Portugal e do estrangeiro. 

Licenciada pela Universidade de Lisboa e Doutorada em Literaturas Hispânicas pela Universidade de Berkeley (U.S.A.), é actualmente Professora Catedrática de Literatura Portuguesa na Universidade Nova de Lisboa e Presidente do Instituto de Estudos Portugueses da mesma Universidade. É ainda membro da Direcção do PEN Club, de que já foi Presidente.

Referenciada, a nível poético, como um dos nomes mais importantes das vanguardas portuguesas da segunda metade do século, a sua poesia reúne fortes tendências barroquizantes e visuais que a têm já levado a um apagamento de fronteiras entre expressão poética e intervenção plástica. É esse o caso, por exemplo, de Mapas da Imaginação e da Memória (1973), bem como das várias exposições que incluem desenho, pintura e colagem, realizadas em galerias e centros de exposições, como o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Museu do Chiado e Fundação da Casa de Serralves, para além das participações na Bienal de Veneza e Bienal de S. Paulo (Brasil).

fonte: Ministério da Cultura e Instituto Português do Livro e da Leitura 

Poesia

Um Ritmo Perdido. Lisboa: 1958.
As Aparências. Lisboa: Sociedade de Expansão Cultural, 1959.
A Dama e o Cavaleiro. Lisboa: Guimarães, 1960.
Sigma. Lisboa: 1965.
Anagramático. Lisboa: Moraes, 1970.
O Escritor. Lisboa: Moraes, 1975.
Poesia (1958-1978). Lisboa: Moraes, 1979.
O Cisne Intacto. Porto: Limiar, 1983.
A Cidade das Palavras. Lisboa: Quetzal, 1988.
Volúpsia. Lisboa: Quimera, 1994.
351 Tisanas. Lisboa: Quimera, 1997.
A Idade da Escrita (Lisboa, Edições Tema, 1998).
Variações (no prelo).
Ficção

O Mestre. Lisboa: Arcádia, 1963; 2ª ed., Moraes, 1976; 3ª ed,. Quimera, 1995.
Crónicas, Anacrónicas, Quase-Tisanas e outras Neo-Prosas. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1977.
Anacrusa. Lisboa: Edições Engrenagem, 1983. 
Ensaio

O Espaço Crítico. Lisboa: Caminho, 1979.
PO.EX - Poesia Experimental Portuguesa (com E. M. de Mello e Castro). Lisboa: Moraes, 1981.
A Experiência do Prodígio - Bases Teóricas e Antologia de Textos-Visuais Portugueses dos séculos XVII e XVIII. Lisboa:
I.N.C.M., 1983.
Defesa e Condenação da Manice. Lisboa: Quimera, 1989.
Poemas em Língua de Preto dos séculos XVII e XVIII. Lisboa: Quimera, 1990.
Elogio da Pintura (com Luís Moura Sobral). Lisboa: Instituto Português do Património Cultural, 1991.
A Preciosa, de Sóror Maria do Céu. Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1991.
Lampadário de Cristal, de Frei Jerónimo Baía. Lisboa: Editorial Comunicação, 1991.
O Desafio Venturoso, de António Barbosa Bacelar. Lisboa: Assírio & Alvim, 1991.
O Triunfo do Rosário, de Sóror Maria do Céu. Lisboa: Quimera, 1992.
A Casa das Musas. Lisboa: Estampa, 1995.
O Ladrão Cristalino. Lisboa: Edições Cosmos, 1997.

 

Auto-Retrato

Parafraseando Sor Juana Inés de la Cruz e Sóror Violante do Céu
Procura desmentir los elogios que a un retrato de la Poetisa inscribió la verdad, que llama pasión


Este, que ves, engaño colorido,
que del arte ostentando tos primores
con falsos silogismos de colores
es cauteloso engaño del sentido;

Este, en quién la lisonja ha pretendido
excusar de los años los horrores,
y vencendo del tiempo los rigores
triunfo de la vejez y del olvido,

Es un a vano artificio del cuidado
es una flor al viento Delicada,
es un resguardo inútil para el hado;

es una necia diliqencia errada,
es un afán caduco y, bien mirado,
es cadáver es polvo, es sombra, es nada

Sor Juana Inés de la Cruz, séc. XVII
(Parafraseando Gôngora)
 

O círculo é a forma eleita
O círculo é a forma eleita
É ovo, é zero.
É ciclo, é ciência.
Nele se inclui todo o mistério
E toda a sapiência.
É o que está feito,
Perfeito e determinado,
É o que principia
No que está acabado.
A viagem que o meu ser empreende
Começa em mim,
E fora de mim,
Ainda a mim se prende.
A senda mais perigosa.
Em nós se consumando,
Passando a existência
Mil círculos concêntricos
Desenhando.

 

o e  

 

o e

ai e ie o e

o o é

o ai é

ou u eu

e e e

o a a a é

e ou e e

ui e e e i

e eu ou i

é ai é eu

eu a e e

e e ai u

ou e e u

au i ie e

o o e e

a e e à

 

Vai-te embora

vai-te embora

vai de mim

vai pr'a fóra

vai-te enfim

 

mas

lembrate lembrame

de

mim

de

mim

de

mim

Gostas da palavra litote?  

gostas da palavra litote?

é um tropo.

e não gostas da palavra tropolitote?

então diz comigo:

tropolitóóóóóóóte !

litote

tropope

tropolipope

tripopopote

tripolitripolitote

tripolitripolipoli

toliloli

tropopopoli

tripopeli

popoli

poplili

popli

popliiii,

 

 

Escritura