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Cerromaior - Manuel da Fonseca (resumo)

Adriano, personagem principal, inicia o romance na cadeia e numa seqüência de flash backs voltamos ao passado e ao final temos a cena de Adriano entrando na cela.

Cerromaior é o nome da vila em que vive Adriano. Doninha, o carteiro enlouquecido, grita lá fora, no Paço do Concelho e Adriano se ergue para tentar vê-lo das grades. Adriano vai lembrando e narrando o seu passado e isso vai criando uma tomada de consciência da própria personagem. Cerromaior é uma vila interiorana de Portugal, marcada pelo marasmo, pela sonolência, pelo isolamento e pela solidão.

Adriano, órfão, herdeiro da Casa Vã, tem como condição social o pertencer a dos proprietários de terras. Sua prima, Lena, irmã de Carlos Runa, é um dos seus casos amorosos. D. Céu, mulher casada, é outro caso amoroso e Antoninha, criada, órfã como Adriano, mas de condição social inferior é a outra mulher de sua vida amorosa.

Adriano não se sente realizado em nenhum desses casos amorosos.

Por outro lado, por influência da pouca lembrança que tem da mãe, que lhe falava acerca da justiça com que se devia tratar os pobres, e de como se devia buscar diminuir a miséria, o personagem principal vai desenvolvendo um comportamento de aproximação com os pobres ceifeiros, compreendendo-lhes as dores e a opressão do sistema em que vivem. O Maltês, Valmansinho, Tónio Revel são personagens que representam os miseráveis ceifeiros.

Cria-se um conflito entre os donos de terra e os trabalhadores rurais e o modo como Adriano se aproxima dos pobres, faz com que Carlos Runa o repreenda perguntando inclusive se havia bandeado de lado. Numa ocasião, em que os ânimos estavam mais exaltados, um ceifeiro agride Carlos Runa. O ceifeiro é levado preso e um soldado espanca o ceifeiro, Adriano intercede, agride o soldado e dá fuga ao ceifeiro. Por esse motivo Adriano é preso.O romance vai assim demonstrando o conflito de classes no âmbito rural da vila de Cerromaior. Adriano é o herói problemático que não se adapta ao meio e como resultado disso tende a ser reprimido pelos membros de sua própria classe social. Os amores que não lhe trazem satisfação, a ausência dos pais, o comportamento explorador dos primos, principalmente de Carlos Runa, tudo faz com que o Adriano se sinta desajustando no seu meio.