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O ANJO ANCORADO - José Cardoso Pires

 

Em 1957, um casal burguês, João e Guida, vão num carro esportivo, um Talbot Lago a um povoado distante junto à praia, São Romão. O objetivo de João é praticar pesca submarina. João é um misto de analista lúcido e de aristocrata acomodado e apático, mas que “navega na crista da onda”. Guida, jovem moderna, lúcida, racional. Ambos da geração de pós-guerra. A certa altura conversam sobre o que faziam em 1945 (ano que indica o fim da II Guerra Mundial). João e Guida representam a elite. Nas conversas do casal são citados vários artistas e escritores: Van Gogh, Van Dyck, Fernando Pessoa, Calder, Hyeronimus Bosch e citam lugares que viajaram pela Europa.

No povoado enquanto João se prepara para mergulhar conhecem um menino que tenta vender rendas, um velho ladino que caça um filhote de perdigoto e Ernestina, a moça que faz as rendas.Essas personagens representam a pobreza e o círculo pequeno de relações sociais que existem no povoado de São Romão.

O menino consegue vender rendas para o casal burguês, João paga-lhe dez escudos (uma ninharia) mais para que pare de segui-lo do que pela renda em si que ainda tem que ser feita por Ernestina, é uma venda por encomenda.

O velho consegue com muito esforço pegar o filhote de perdigoto, ao passar diante do casal, Guida sente dó pela pureza e fragilidade do animalzinho e diante da afirmação do velho de que naquele povoado, costumam os habitantes comer perdigotos, mesmo ainda filhotes, convence João a comprar o filhote. O plano de Guida é soltá-lo na mata quando saírem do povoado. Porém, quando o fazem, o velho já desconfiado disso, estava à espreita para pegar novamente o animalzinho. Guida fica a amaldiçoar o velho e quisera voltar à vila e brigar com o velho, mas João segue seu caminho rumo à Lisboa levando como resultado da caça submarina um enorme mero, peixe grande de águas mais fundas e que causara espanto e admiração no povoado.