ORFEU SPAM APOSTILAS

[Volta à Página Principal]

Pequenos Burgueses - Carlos de Oliveira

O Major é casado com D. Lúcia, tem uma fazenda que produz muitas frutas nos pomares. Tem dois filhos: Cilinha que namora o Delegado e Ricardo que estuda num colégio em Lisboa.

Maria da Luz, criada na casa do Major é filha de Raimundo da Mula, sujeito um pouco parvo que tem a obsessão de possuir uma mula. O Major e D. Lúcia estão ficando velhos. O Major reclama que sua atração por D. Lúcia não é a mesma, daí a necessidade de uma amante jovem, Rosário, que mora em Corgos. Porém Rosário também tem um caso com o Delegado. Mal sai da casa dela o Major e logo chega o Delegado. O Dr. Neto, conformista fica a repetir “as coisas são o que são”.

No cap. XXIII a carrinha da polícia é metamorfoseada em percevejo.

Mestre Horácio, ferreiro, na perspectiva de Raimundo, figura respeitabilíssima, cuja palavra significava sempre a verdade.

Num jogo de cartas jogam Pablo Florez e d. Álvaro Medeiros (diretor da Comarca de Corgos), o Major e o Delegado. O Delegado perde dinheiro jogo e resolve continuar jogando agora com o dinheiro que separara para o presente de aniversário de Cilinha, filha do Major. D. Álvaro que herdou um solar em ruínas, em pouco tempo o restaura e constrói a bela casa de campo nos arredores de Fonterrada. D. Álvaro é um bom jogador de cartas e ganha muito dinheiro do Delegado, do Medeiros, do Cortês das Finanças, do Pablo Florez e do Navarro.

O desabafo interior é de Pablo Florez, personagem cuja experiência está justamente no sentido de tolher qualquer forma de comunicação que pudesse gira ao nível do “ser”. Há uma tenção estilística entre as palavras do idioma espanhol, ou português-espanhol, e do português que a personagem procura dominar.

D. Álvaro não perdia negócio, certa feita comprou uma mula velha de um sujeito que a estava a vender por necessidade. D. Álvaro mandou pintar a mula e a engordou com muita ração. Tempos depois o sujeito que vendera a mula disse que precisava de uma para o trabalho, D. Álvaro disse que não podia alugar aquela que o sujeito lhe vendera, mas uma outra, mais forte e mais bela. O sujeito pagou vinte notas pelo aluguel do animal, chegando em casa, mandou um criado dar banho no animal e viu ela se distingir e revelar o antigo animal, velho e sarnento, porém gordo.

O Major mantém duas casas, numa ele, D. Lúcia e os filhos (Cilinha e Ricardo que estuda num colégio de Lisboa), na outra, ele e Rosário.O Major considera as moças jovens como mulas e como tal devem ser montadas.

O delegado namora com Cilinha. Numa festa na casa do Major o Delegado dá um anel de noivado a Cilinha. A certo momento, um alvoroço e confusão, um bando de homens entra no terreiro procurando por Xanto, um rapaz da casa. Ele se esconde, mas os perseguidores o encontram e o levam para fora da casa para matá-lo. O Delegado manda um bilhete, por Paulino, urgente para que venha o sargento da guarda com policiais. Quando chega a guarda só resta desamarrar o corpo do morto que fora enforcado e levado muitas pedradas. O Delegado promete investigar a história.

No cap. XXXII, Raimundo, numa mistura de realidade e magia, vai encontrar o bruxo, que poderia concretizar a sua obsessão de possuir uma mula, já morto e em estado de putrefação. Raimundo depois desse encontro vai percebendo a impossibilidade de um dia possuir uma mula.