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O JOGO DA CABRA CEGA - José Régio (comentários gerais da obra)

O herói narrador nos apresenta toda a realidade por meio de sua perspectiva, e nesse sentido as outras personagens aparecem ou desaparecem segundo seu humor. São quatro companheiros intelectuais que formam um pequeno círculo de convívio social: Luís Afonso, Celestino, José Baía, o Sombra. A personagem do herói-narrador se revela em crise para se reconhecer, mas o próprio mundo todo vive em crise. O herói narrador cria a personagem Jaime Franco e que acaba por impor a sua própria história. Jaime Franco acaba por abrigar o herói narrador. Assim Jaime Franco fica sendo o pólo ativo que rivaliza com a consciência do herói-narrador. Jaime Franco é filho de uma prostituta, de pai desconhecido, pervertido pelo meio, vítima da sociedade, por isso, parece ter o direito de realizar o mal, única verdade que lhe foi revelada. Para o herói narrador há uma lealdade, há ainda um outra possibilidade do que a inadaptação. Jaime Franco revela que a mãe tinha sido uma mulher boa, mas a miséria foi destruindo tudo. O que impede o herói narrador de vir a ser completamente Jaime Franco é a condição de sentir o amor, assim o narrador é um ser ainda indecifrado. A sua única evidência são as lembranças da infância, em que o pai e mãe surgem como figuras essenciais e comoventes. Destaca-se a amizade de Pedro Serra com o herói narrador. A descoberta da feminilidade e do amor envolvem aspectos da amizade com Pedro Serra.

A Sra. Dona Felícia da pensão familiar em que o herói narrador era o hóspede único causa no herói narrador um desejo de destruir o pequeno mundo em que se insere Dona Felícia. O herói narrador obstina-se em fitar sua imobilidade e o ridículo, como quem não perdoa a vulgaridade.

Mademoiselle Dora é outra figura feminina, dotada de graça, passividade e uma certa inocência amoral, é sobre ela que o herói narrador consegue poetizar. O herói narrador vai descrevendo também outros personagens da pequena cidade de forma quase caricatural. O sr. Elicídio é um exemplo, ou ainda cenas em que o herói é achincalhado numa rua de tabernas e prostitutas. Por outro lado, Jaime Franco, também, bêbado e desgraçado é acordado a pontapé.

Diante de suas crises, o herói narrador e Jaime Franco parecem sentir a necessidade da presença de Deus.

O herói narrador e Jaime Franco parecem a reprodução contínua do tema do filho pródigo. O herói narrador é obrigado, por lealdade, a assumir a responsabilidade. O amor de sua mãe é que lhe faz recobrar esses sentimentos, ao chorar ao peito da mãe. Num encontro com o Sombra, o companheiro menos destacado do grupo de amigos intelectuais que lhe acaba apontando o caminho da esperança.

O romance se apresenta como feito de possíveis entendimentos acerca do significado da vida.