ORFEU SPAM APOSTILAS

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ALMADA NEGREIROS

 

MIMA-FATÁXA - Sinfonia Cosmopolita

E Apologia do Triângulo Feminino

Dedicatória

A ti para que não julgues

Que a dedico a outra.

 

 

 

 

Aquela que ri nos relâmpagos

e que me beija nas imagens dos espelhos:

Aquela cujo xaile embrulha o Sol quando cai no chão,

e que tem as mãos flexíveis como as ligas a meio das coxas;

Aquela que tem a forma do faz calar,

Aquela que fala co’o andar,

Aquela que sabe mentir,

Aquela cujo olhar dá Ilusão

e que tem na voz o timbre dos repuxos;

A dos olhos transparentes da Distância a deformar-se em Vício que regressa;

Aquela que se sente nos joelhos;

Celle qui est de plus en plus danseuse depuis Dégas,

Duncan dansant tout nue la Marche Militaire:

Attention!

                                       :Il n’y a qu’une Ville: PARIS

C’est là Aut. Qu’Elle vive partout!

A do sangue verde-esmeralda

essa, sim, quero eu cantar!

 

 

Zunem pandeiros na ferrugem dos aros

As peneiras de cobre já peneiraram o i dos bordados

e as faúlhas da tenda são em latão o rasto da Luz

Tis (=) petulantes de cegonhas cinzentas desfazem-se lentos em linhas azuis.

Os beijos acodem dali acordados d’esperar os risos

Passos esguios desfazem-se lentos em frio do Norte

Estóicos volteiam arcos voltaicos adormecidos em plintos de brim,

Estáticos riem ângulos agudos funâmbulos tortos num cobertor.

 

 

     Khaki

     Zomba

     Mofa

     e range

a pandeireta fofa.

Pára o pulso no giro d’Ela solta

Fluxo e refluxo dos boulevards acesos na pandeireta ruiva.

 

 

                                Ópera - 7 h. et. 50: Thaïs

 

 

                   Jóias e brincos

                   Tantos e tontos

                    tintos de íman

toldam-se em lumes de perderneiras.

Íris-brasa d’arara no engaste.

Pirilampos de baile às listas militares de trintanário bric-à-brac.

 

 

Gestos-cores molhados de despidas n’água nua da piscina embaloiçada.

Faunos que lutam co’um céu transparente demais.

Estoiro da Saudade no último acto dos poentes.

                                                              Mar.

Rainhas embalsamadasd a descer pró

                                                              Mar

                   Zomba

                   Mofa

                   e tine

A pandeireta bamba e bumba na pandeireta.

Derruem-se claustros do medo asfixiadamente

Surge a Louca dos espeques

e a salamandra passa pra cisterna plos degraus do sono.

Tâmara lâmpada atarantada d’arara

Tarântola exdrúxula bruxoleante

Abóbada côncava do tímbalo diáfano onde descansa o bombo.

Pirilampo-hélice do bambu banho por onde desce o relâmpago moribundo à banda

Túmulo oco de alaúde e flauta diluído em Liz

Labirinto anil de absinto flâmula

Timbre cilíndrico de Abanindra (Índia)

Eufórbia régia aberta em leque na lanterna mágica

Boceta de Pandora

Alta andor de orar a fleuma

Enigma ígneo do píncaro íman da salamandra

Cirius-lúmen

Escudo heráldico retintamente ágata megalômana

Título ímpar da Única

Amén

 

 

O nó cego a doer em paixão tisnada

 

 

Temperamento-luto da preguiçosa

Título romântico de Versos sentimentais

Raiva de não ter a idéia de resolver

Espasmo-indiferença das lutas de não ganhar

Sonolência perversa das vidas que não calham.

 

 

Arrelias atropeladas nas posições do respirar

Santas estâncias pra compensar o tempo

Santa-Bárbara faz parar trovões

Ave-Marias nos dedais de prata

Agulhas, pomadas novelos...

Labirintos elegantes de filigrama em azul simples da inicial sozinha

Pálido clima impresso asilo

Requintes bordados a Nossa-Senhora-Mulher

Frágil esfera da Maternidade-Cetim

                                :É um rapaz! Deixem-na dormir.

 

 

Devoção dos interiores

Bendito seja Maeterlink!

Vida intensa da bagatela aconchegada

A história do Avô marechal

Valor estimativo

Recordações da família.

 

 

Cicatriz realce de ar Venal-bérbere

Vrilhas azuis

Olheiras postiças

Artifício cobiça da degenerada

Repentes-medium d’improvisar o mito

Brônzea tine em faces duplas a pandeireta fofa.

 

 

            Zomba

            Zomba

            e tine

A pandeireta bamba no cotovelo roto.

 

 

Voa o xaile de um lado numa volta de nota alta

Reverência de estar no céu d’olhos pasmados no fundo.

                        O Pajem recebe prendas!

Invejas da Princezita

É indecente dizer-se Puta (bis e depois o coro)

A estouvanada

A indiscreta

A leviana

Problema da Pederastia!

 

 

Os Ângulos agudos abrem-se passivamente na magreza de gastos.

Mórbidos secam-se os lábios esmagados contra a fantasia.

Espasmos galgam por mentiras arquivadas.

Por quem será este espasmo?

Eu já gastei a mentira d’Ela!

 

 

Ser pornográfico às escondidas

Segredos que fazem corar:

A invertida que ama os homens e as mulheres

e que dorme com o Sol e é a Amante da Lua!

A dona dos segredos indecentes

Síntese Cosmpolita

               Esperanto-Invasor!

 

 

Salve! Fornicadora do Mistério!

Hei-de cantar-te, Milionária, que me deste a Loucura pra ser a minha escrava índia

ou Salomé se eu também quisesse.

Ó erudita das paixãoes,

Ciceroe dos labirintos!

 

 

         Zomba

         tine

         e ralha

A pandeireta choca

         Zomba

         Zune

          e tine

A pandeireta bamba

         Cacimba

Na pandeireta lata.

 

 

Vogais de clave embaciada e longa inda reais da fundação.

Quando Ela morreu não tinha dito tudo -

Nascem poetas pra Fantasia.

 

 

Hossanas e coros das invertidas mal aparecem na manhã-pecado da tentação santa.

Os vidros beijam-se em hinos da Luxúria

e a margem dança nos habitantes enigmas fluidos de formas ruivas

Zebras paradas em alfineteiras.

 

 

Cavalgada húngara desabotoada

toilette - método pra Conquista!

 

 

mima

mianja

petrouchka                 

magda

cleópatra

maria

nichons

ninette

 

 

{

A         ELLE

 

Salve-Rainha

A Nave Central

O Carrilhão e os corredores de lajens

O Canapé de estofos almofadados

:As Vrilhas são copiadas!

 

 

Ditongos ricos pra ir ao ar

ou i ou ai

no meio do adro

 

 

Camurça branca de tentação

eixo, eixo, ribaldeixo

 

 

5: maria dos brincos

Primeira quadra popular

 

 

Clarins platina retinem blagues

Tilintam dogmas carrilhões

Címbalos e marimbas.

 

 

Liberta-se o Bem dos peitos pra Cavalgada

Avoluma-se a transparência em mais transparente,

-Solo verdade no oboé.

 

 

Rivancha da Loucura Capitaneada plo Gênio!

Avalanche subtil que ultrapassa o mal e o mal fica por vencer.

Salva-se o Mundo num cérebro e o resto fica por demência a servir a cruz aos braços

 

 

Aljabas

elmos e lâminas

Fulcram-se rabiças no espaço.

Valquírias hermafroditas

Tangerinas mágicas

Trenós d’Império desenrolam serpentinas pros relâmpagos da alucinação.

 

 

Bacanal do pic-nic no Zimbório

Apoteose da Luxúria

Apologia do Deboche

Viva o Pendão da Aventura!

 

 

Seleção dos exotéricos

Nuances de tisnas da Europa

Entourage do Gentleman

Wilde, Nijinski e Eu: Sacrossata melodia da Carne!

 

 

O Circo agita-se no pânico em turbilhões concêntricos

e de repente o palco desfaz-se por tamanho do Mundo.

 

 

Afilam-se pandeiros em estrondos d’aço e dinamite

Ciladas do Cinzento

Calam-se os reflexos debruços no lodo

A vida das piteiras já é só Raiva

Babel ressuscita tumultuosamente nas sardinheiras descontentes.

O desastre do tonneau!

Significado da Unidade!

 

 

-viva o homem!

 

 

           Zomba

           Zune

           e tine

A pandeireta Zíngara

          Wanda

A pandeireta russa

          Monna Liza

A pandeireta zinco

          Cacimba-Acetilene

A pandeireta-lata da Andaluzia

          pra ir ao ar

ou i ou ai

não penses Esfinge!

Gomos de laranja a baloiçar Cavalo de Tróia!

         Gincana das Vogais

         Final do Poema

         :Não penses Esfinge!

 

 

(Edição Luxuriante

Fenomenal colaboração do pintor

Amadeo de Sousa Cardoso

 

 

Encomenda antecipadas a Amadeo de Sousa Cardoso

27, Rue des Fleurs - Paris)