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VAGÃO J - Vergílio Ferreira

O romance começa com as personagens de uma feira livre numa cidadezinha de Portugal. A partir desses personagens populares começa a se destacar a família dos Borralhos.

Os Borralhos estão na posição mais inferior da escala social, são miseráveis e também são considerados ladrões pela maioria da população: “Manuel Borralho pertencia à família dos Borralhos, que eram ladrões, ladrõezinhos reles, se multiplicavam como cogumelos”.

A família Borralho era constituída por Chico Borralho, o pai, que perde uma perna num acidente numa pedreira. Inválido, sem poder trabalhar, transforma-se num peso para a família, ainda mais que é dado às bebidas. Joaquina Borralho, a mãe, mulher vulgar e inculta, que tenta fugir da miséria pelos meios menos adequados, incentiva, por exemplo, a filha a roubar coisas nas casas em que trabalha como empregada. Quando o marido morre e os filhos ficam mais velhos parte para Lisboa com Calhau, um agregado da família e seu irmão Gorra.

Manuel Borralho, é o filho mais velho. Numa briga esfaqueia outro homem, o Bogas. É preso por um mês. É apaixonado por Maria do Termo, que não lhe corresponde o sentimento. Como o pai, embebeda-se freqüentemente e se mete em confusões. Por ciúmes de Maria do Termo assassina o Dr. Soeiro, pessoa de classe social elevada na cidade. Preso pelo crime é condenado ao degredo. Ao voltar muitos anos depois, encontra Maria do Termo transformada em prostituída decadente e acabam vivendo juntos.

João Borralho, outro filho de Joaquina, passa por vários empregos. Casa-se com Gornicho. É do tipo trabalhador, mas daqueles que estão sempre sendo explorados sem chegar a tomar consciência disso. Sua revolta com o Mundo é a de um simples.

Joaquim, quando criança desejava ter um papagaio de seda, nunca o teve. Arruma emprego de operário numa fábrica. Será sempre um operário, mas isso já é um progresso para as perspectivas sociais oferecidas aos Borralhos.

António Borralho, o caçula. É o único que consegue ir à escola. Dona Estefânia o protege, pois pretende encaminhá-lo para o seminário. Já no seminário, num acidente com fogos de artifício perde a mão e volta para casa com os seus sonhos desfeitos.

Maria Borralho, a filha mais velha, trabalha na casa de D. Estefânia. Por incentivo da mãe rouba a despensa. Engana o filho da patroa com algumas carícias para receber alguns presentes. Acaba grávida de um rapaz pobre e casa-se com ele.

Calhau, agregado dos Borralhos. Corcunda, torto, cigano. Acaba por ter um relacionamento com Joaquina, e chegam juntos a planejar a morte de Chico Borralho.

Família que luta contra a fome, a quem falta toda sorte de instrução e cultura, vivem no limite entre a humanidade e o animalesco.

Por outro lado, temos as pessoas que se contrapõem aos Borralhos pela condição social: Dr. Soeiro (homem de muitos poderes), Sr. Joãozinho (que junta dinheiro para comprar uma casa nova na Quinta), Sr. Castro (que tem muitas propriedades) e D. Estefânia.

Na escola, António Borralho ganha a simpatia do professor, este é quem dava caderno e lápis para o menino poder estudar. O professor demonstra ter uma visão crítica da sociedade em que vive.

Ti Ana, mãe de Maria do Termo, teve esta “filha de um patrão qualquer”. Maria não cede aos apelos de Manuel Borralho, mas se deixa enganar pelo Dr. Soeiro. Assim a filha repete a situação da mãe.

Chico Borralho sentindo-se um peso para a família e muito amargurado pela sua condição, suicida-se atirando-se sob as rodas da camioneta que o levava ao médico.