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Régis Bonvicino

 

PÉTALA

Pétala retoma o espaço
extraviado
e fios-favila
- o inverno
uma âncora irremovível? -
reanima o espaço
perdido
pétalas tornam ruminantes
as pedras
lâmpadas?
noitepétala
alarme de cor
espaço a pino
um pássaro pousa
bica a flor e asas
linhas que são só
ângulos
que o sol nada revela
que a claridade
reitera : ângulos
aqui
pó nos
postes
teias
de amarelo
vivas
como pontos avançados do universo
andando
e salta à vista

 

INSETOS

Insetos pensos
em seguida corolas
secas gravetos flores
no confronto

com tensos
fios fachadas fixas
mesmo à sombra
cor

em círculos como
sinos do esguio
irrompem na calçada
e ao vento

 

EGO

Ego desprega
sereia e caveira

Narciso
de um eu

impreciso Bosch
na altura da clavícula

Espécie de cogito
do signo incógnito

Homem sem sombra

Na pele,
corpo em torno do quase nada

 

 

 

LUA

Lua inteira
( sol insone )
junto
à montanha

Itabirito
minério de ferro
e quartzito
mirante

de dentro do céu
ao redor,

que importa
o infinito ?

 

OLHAR DE DENTRO

Olhar de dentro,
tocar de dentro -
só, em si mesmo,
onde em silêncio
adentro,
onde os de fora,
avessos,
me concentro
de estar
dentro

que se concentra
numa rajada
de vento
mas está dentro
do dentro -
às vezes, monumento

os dos outros e os meus
de fora
com eles entro -
cabelos de dentro,
unhas de dentro -
miragem-fragmento
de peitos

 

LEGENDA, Nº 2

Fragmento de árvore
que o espaço impõe
à vista

Vermelho de não,
a automóveis,
sob fios

Em silêncio como o
vidro da janela
este momento vazio.