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Simbolismo:

 

Características do Simbolismo:
- Linguagem sugestiva e abstrata, que prefere sugerir a nomear;
- Presença abundante de metáforas (sugestão), comparações, aliterações, assonâncias, paronomássias  (musicalidade) e sinestesia;
- Subjetivismo;
- Antimaterialismo e anti-racionalismo: a razão é incapaz de explicar o espírito;
- Misticismo e religiosidade;
- Pessimismo e dor de existir - A dor leva ao prazer - Elevação de espírito;
- Desejo de transcendência, de integração cósmica;
- Interesse pelo noturno (trevas da vida material), pelo mistério e pela morte;
- Interesse pela exploração das zonas desconhecidas da mente humana (emoção e espírito) e pela loucura;
- Sinestesia: Naturalismo - Criar um ambiente real ; Simbolismo - abrir o sentido;

Influências:
- Bérgson: intuição;
- Freud: o sonho - subconsciente;
- Schopenhauer: Karma - Nirvana;
- Baudelaire:  Teoria da correspondência entre os sentidos. Uso de sinestesia;
- Mallarmé: Sugestão. Quebra a letargia (preguiça mental);
- Paul Verlaire: a musicalidade;
- Verlaire: Musicalidade;
- Rimbaud: A linguagem denotativa é incapaz de captar o universo espiritual - Psicologia do ser;

O símbolo sempre existiu na Literatura, mas somente no século XIX é que seu emprego se difundiu e se tornou moda com a denominação de Simbolismo.
 
          Restringindo-nos a um ciclo histórico mais próximo, verificamos que o Simbolismo deita raízes no Romantismo e que alguns ideais românticos, sobretudo os mais vagos, tiveram que aguardar o Simbolismo para realizar-se de forma mais ampla. Nesse sentido, o Simbolismo para realizar-se de forma mais ampla. Neste sentido, esse movimento pode ser considerado um prolongamento ou uma etapa mais avançada da concepção do mundo e dos homens inaugurada pelos românticos, transfigurando-a e levando-a às últimas conseqüências. Em suma, o Simbolismo só se compreende quando inscrito no contexto sócio-cultural decorrente da Revolução Francesa e da implantação das doutrinas romântico-liberais.

          Contrariamente aos românticos, os simbolistas propuseram que "a poesia não é somente emoção, amor, mas a tomada de consciência desta emoção; que a atitude poética não é unicamente afetiva, mas ao mesmo tempo afetiva e cognitiva". Por outras palavras, a poesia carrega em si uma certa maneira de conhecer.

          Na busca do "eu profundo", os Simbolistas iniciam uma viagem interior de imprevisíveis resultados, ultrapassando os níveis de razoabilidade em que, afinal de contas, se colocavam os românticos, mesmo os mais descabelados e furiosos.

          Imergindo nas esferas inconscientes, acabaram por atingir os estratos mentais anteriores à fala e à lógica, tocando o universo íntimo de cada um, onde reina o caos e a anarquia, em decorrência de ali vegetar e as vivências vagas e fluídas, pré-lógicas e inefáveis, e que não se revelam ao homem comum senão por recursos indiretos como o sonho, a alucinação ou a psicanálise.

          Mais do que tocar os desvãos do inconsciente, pretendiam sentí-los, examiná-los.

          O problema mais difícil era o de como transportar as vivências abissais para o plano no consciente a fim de comunicá-las a outrem. Como proceder? Como exprimi-las? Como representá-las sem esvaziá-las ou destruí-las? A gramática tradicional, a sintaxe lógica, o vocabulário comum, petrificado nas várias denotações de dicionário, enfim o material lingüístico e gramatical corriqueiro eram insuficientes para comunicar os achados insólitos da sensibilidade, antes desconhecidos ou apenas inexpressivos.

          Era necessário inventar uma linguagem nova, recuperando expressões consideradas obsoletas, vivificando outras cujo lastro semântico ia sofrendo desgaste ou cristalização. Essa nova linguagem estaria fundamentada numa sintaxe e gramática "psicológicas", num vocabulário adequado à comunicação de novidades estéticas, pela recorrência a neologismos, inesperadas combinações vocabulares, emprego de arcaísmos e de termos exóticos ou litúrgicos, e ainda de recursos gráficos de várias ordens (o uso de maiúsculas alegorizantes, das cores na impressão dos poemas ou partes de livros, de formas arcaicas, etc...)

          Trata-se pois de uma revolução da expressão literária e, não obstante conectado com as outras artes, o Simbolismo é antes e acima de tudo Literatura e nenhuma escola foi mais literária, no sentido de "uma estética que se aproximou de pura, vacinada contra todo o contato não estético, ou que, sendo estético, atentasse contra suas prerrogativas literárias. (Massaud Moisés, "O Simbolismo", A literatura Brasileira, vol. IV, Cultrix, SP, 1973).
 

 Características da Poesia Simbolista

          Como movimento antimaterialista e anti-racionalista, o Simbolismo buscou uma linguagem que fosse capaz de sugerir a realidade, e não retratá-la objetivamente, como queriam os realistas. Para isso, faz uso de símbolos, imagens, metáforas, sinestesias, além de recursos sonoros e cromáticos, tudo com a finalidade de exprimir o mundo interior, intuitivo, antilógico e anti-racional. Podem ser encontrados esses traços em poetas e pensadores pré-Simbolistas, que acabaram por dar as origens dessa escola. São eles:
 

          A Teoria das Correspondências propõe um processo cósmico de aproximação entre as realidades físicas e as metafísicas, entre os seres, as cores, os perfumes e o pensamento ou a emoção, que se expressa através da Sinestesia, um tipo de metáfora, que consiste na transferência (ou "cruzamento") de percepção de um sentido para outro, ou seja, a fusão, num só ato de percepção, de dois sentidos ou mais. É o que ocorre em "ruído áspero" (audição e tato); "música doce" (audição e gustação); "som colorido" (audição e visão); "noite de veludo" (visão e tato).

          Essas correspondências entre os campos sensorial e espiritual envolvem obrigatoriamente a sinestesia. Sinestesia é o cruzamento de campos sensoriais diferentes: por exemplo, tato e visão, como nas imagens "noite de veludo", "amarelo quente", "cinza frio".

          Em termos de ideologia, o Parnasianismo e o Simbolismo são movimentos diametralmente opostos, já que aquele pregava uma poesia objetiva, racionalista, e voltada a temas universais. Apesar disso, ambos apresentam em comum uma preocupação intensa com a linguagem e certo refinamento formal. Isso talvez possa ser explicado pelo fato de ambas as tendências terem nascido juntas, na França, na revista Parnasse Contemporain, em 1866. Cruz e Souza, o principal simbolista brasileiro, apresenta influências parnasianas em alguns de seus poemas.
 

 Características da linguagem simbolista

As características da linguagem simbolista podem ser assim esquematizadas:

  • Linguagem vaga, fluida, que prefere sugerir a nomear. Utilização de substantivos abstratos, efêmeros, vagos e imprecisos;

  • Presença abundante de metáforas, comparações, aliterações, assonâncias, paronomásias, sinestesias;

  • Subjetivismo e teorias que voltam-se ao mundo interior;

  • Antimaterialismo, anti-racionalismo em oposição ao positivismo;

  • Misticismo, religiosidade, valorização do espiritual para se chegar à paz interior;

  • Pessimismo, dor de existir;

  • Desejo de transcendência, de integração cósmica, deixando a matéria e libertando o espírito;

  • Interesse pelo noturno, pelo mistério e pela morte, assim como momentos de transição como o amanhecer e o crepúsculo;

  • Interesse pela exploração das zonas desconhecidas da mente humana (o inconsciente e o subconsciente) e pela loucura.

    Observação: Na concepção Simbolista o louco era um ser completamente livre por não obedecer às regras. Teoricamente o poeta simbolista é o ser feliz.
     
     

    Contexto histórico

              O movimento simbolista surge no último quarto do século XIX, na França, e representa a reação artística à onda de materialismo e cientificismo que envolvia Europa desde a metade do século.

              Tal qual o Romantismo, que reagiria contra o racionalismo burguês do século XVIII (o Iluminismo), o Simbolismo rejeita as soluções racionalistas, empíricas e mecânicas trazidas pela ciência da época e busca valores ou ideais de outra ordem, ignorados ou desprezados por ela: o espírito, a transcendência cósmica, o sonho, o absoluto, o nada, o bem, o belo, o sagrado dentre outros.

              A origem dessa tendência espiritualista e até mística situa-se nas camadas ou grupos da sociedade que ficaram à margem do processo de avanço tecnológico e científico do capitalismo do século XIX e da solidificação da burguesia no poder. São setores da aristocracia decadente e da classe média que, não vivendo a euforia do progresso material, da mercadoria e do objeto, reagem contra ela. Propõem a volta da supremacia do sujeito sobre o objeto, rejeitando desse modo o desmedido valor dado às coisas materiais.

              Assim, os simbolistas procuraram resgatar a relação do homem com o sagrado, com a liturgia e com os símbolos. Buscam o sentimento de totalidade, que se daria numa integração da poesia com a vida cósmica, como se ela, a poesia, fosse uma religião.

              Sua forma de tratar a realidade é radicalmente diferente da dos realistas. Não aceitam a separação entre sujeito e objeto ou entre objetivo e subjetivo. Partem do princípio de que é impossível o retrato fiel do objeto; o papel do artista, no caso seria o de sugeri-lo, por meio de tentativas, sem querer esgotá-lo. Desses modo, a obra de arte nunca é perfeita ou acabada, mas aberta, podendo sempre ser modificada ou refeita.

    Os malditos

              Essa concepção da realidade e da arte trazida pelos Simbolistas suscita reações entre setores positivistas da sociedade. Chamados de malditos ou decadentes, os simbolistas ignoram a opinião pública, desprezam o prestígio social e literário, fechando-se numa quase religião da palavra e suas capacidades expressivas.

              O Simbolismo - com as propostas de inovação, oposição e pesquisa trazidas pela geração de Verlaine, Rimbaud e Mallarmé - não sobrevive muito. O mundo presencia a euforia capitalista, o avanço científico e tecnológico. A burguesia vive a belle époque, um período de prosperidade, de acumulação e de prazeres materiais que só terminaria com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914.

              Nesse contexto, o Simbolismo desaparece. Mas deixa ao mundo um alerta sobre o mal-estar trazido pela civilização moderna e industrializada, além de códigos literários novos, que abrirão campo para as correntes artísticas do século XX, principalmente o Expressionismo e o Surrealismo, também preocupados com a expressão e com as zonas inexploradas da mente humana, como o inconsciente e a loucura.