ORFEU SPAM APOSTILAS

[Volta à Página Principal]

O CACAULISTA E O CORONEL SANGRADO - CENAS DA VIDA DO AMAZONAS - INGLÊS DE SOUSA.

O Cacaulista, primeiro romance de uma série pensada por Inglês de Sousa, Cenas da Vida do Amazonas, desenvolve seu cenário na floresta amazônica. O autor teve que enfrentar dificuldades de transposição do eixo narrativo para as regiões do interior, destacando o  rio-mar (Amazonas). Nas linhas iniciais, lemos: "algumas milhas acima da cidade de Óbidos, à margem do Paranamiri". Regionalista, a narrativa gira em torno da rivalidade entre o jovem Miguel e o Tenente Ribeiro por questões de terra. Complica-se a situação quando Miguel se apaixona pela filha do Tenente Ribeiro, Rita. Porém, Rita pressionada pelo pai, acaba se casando com Moreira, moço da cidade. Miguel, contrapondo-se como personagem ao princípio romântico da solução emocional ou violenta (vingança, suicídio, etc...), opta por embarcar, deixando sua localidade. Termina assim, o romance em aberto, sem a solução da questão do personagem principal. O narrador, por sua vez, utiliza-se por várias vezes da técnica de inserir descrições do cotidiano das populações ribeirinhas e de descrições da beleza e da exuberância misteriosa da natureza.

O segundo romance da série de Cenas da Vida do Amazonas é O Coronel Sangrado.

Em O Coronel Sangrado, Miguel está em Óbidos, e destaca-se na narrativa dos acontecimentos dessa cidade provinciana, a disputa política entre conservadores e liberais. O Tenente-coronel Severino de Paiva Prestes era chamado de o Coronel Sangrado, por seu hábito de receitar sangrias para solucionar problemas de doença, com um certo êxito. Pretendia o Tenente-Coronel Severino eleger Miguel vereador, por quem se afeiçoara e decidira fazer dele seu protegido. No entanto, os planos do Coronel Sangrado malogram, entre outros motivos pelas intrigas paroquiais que se desenvolvem. Morre o Coronel Sangrado e Miguel, que nunca esquecera Rita, acaba tendo a realização de sua paixão, quando Moreira também morre num acidente, casando com ela, não sem antes passar cinco anos em Belém do Pará, de onde volta com um certo ar de moço da cidade e resolvendo o problema do final aberto do primeiro volume. 


 

Resenha: O Romance da Vida Amazônica - Mauro Vianna Barreto (estudo sobre Inglês de Sousa)

O rigor científico na ficção de Inglês de Sousa

Walter Pinto

A literatura de ficção pode expressar uma realidade? Ao responder a questão, o professor Mauro Vianna Barreto, mestre em Antropologia pela UFPA, produziu um importante estudo socioantropológico que traz à tona a obra literária do escritor paraense Herculano Marcos Inglês de Sousa, o introdutor do Naturalismo na literatura brasileira.

Há críticos que atribuem ao maranhense Aloísio de Azevedo, com "O Mulato", livro publicado em 1881, a primazia da introdução da nova escola, que teve em Émile Zola e Eça de Queiróz os principais nomes da literatura universal. 
Esses críticos parecem desconhecer os três livros publicados por Inglês de Sousa antes da obra de Azevedo, onde já estão presentes os princípios que iriam nortear a prosa realista-naturalista no Brasil.

Inglês de Sousa publicou cinco livros, todos de temática realista-naturalista, entre 1876 e 1893. Os três primeiros - O Cacaulista (1976), História de um Pescador (1977) e O Coronel Sangrado (1977) - foram publicados quando os meios literatos ainda eram dominados pelo Romantismo. Em 1891, publicaria seu livro mais conhecido, O Missionário, levando ao extremo os princípios da escola de Émile Zola. Sua carreira literária se encerraria com Contos Amazônicos, publicado em 1893.

Ambientados em pequenas e desconhecidas cidades da Amazônia, os romances de Inglês de Sousa não despertaram a atenção dos leitores do Sul, onde foram publicados. "O pessoal lia Iracema, A Moreninha. De repente vem um cara falando sobre exploração de trabalho lá na Amazônia, ninguém queria ver isso, a realidade nua e crua", explica Mauro Vianna Barreto.

Essa descrição nua e crua da realidade, como, por exemplo, o relato de uma disputa política entre conservadores e liberais em Óbidos, um dos momentos mais brilhantes de O Coronel Sangrado, é que despertou o interesse do pesquisador à obra do escritor. Desenvolvido como dissertação de mestrado em Antropologia, o estudo virou o livro O Romance da Vida Amazônica - uma leitura socioantropológica da obra literária de Inglês de Souza, publicado pela Letras a Margem, em edição custeada pelo autor.

Cotejando as informações de Inglês de Sousa com uma extensa bibliografia de quase 120 obras, entre as quais relatos de naturalistas e estudiosos que estiveram na região enfocada pelos romances à época em que foram ambientados, Barreto pode afirmar que "os cinco livros conseguem traçar um retrato fidedigno da sociedade cacaueira da Amazônia das décadas de 60 e 70 do século XIX".

Inglês de Sousa nasceu em Óbidos, em 1952. Viveu 15 anos na região, então dominada pelas grandes fazendas de cacau, no momento em que a navegação a vapor começava a transformar os costumes em algumas pequenas vilas e povoados. Utilizando a memória da infância e adolescência e, muito provavelmente, informações de seus pais, o escritor esquadrinha o cotidiano e retrata os hábitos e costumes populares com precisão. 

"Inglês de Sousa é uma fonte preciosa de informações a respeito da vida social em seu tempo, pois revela dados e minúcias que são de inestimáveis valia para uma leitura socioantropológica da literatura", afirma o pesquisador.

Para Barreto, o Realismo de Inglês de Sousa se distingue não tanto pela descrição do ambiente natural, como nos romances clássicos do Naturalismo, mas fundamentalmente pela reconstituição do modo de vida dos habitantes das margens do rio Amazonas. 

"A todo instante há passagens pormenorizadas do modo de vida amazônico oitocentista: os costumes, a rotina doméstica, as tarefas de subsistência, a sociabilidade, as relações de conflito e acomodação entre diferentes segmentos sociais, os preconceitos raciais, as manifestações folclóricas, as particularidades do linguajar regional, as crenças e práticas religiosas, as supertições e crendices populares, as regras de etiqueta, os padrões de civilidade, o lazer, as festas", enumera o pesquisador, ressaltando a importância dessas informações para o estudo socioantropológico da vida na Amazônia perlustrada por Inglês de Sousa.


Vilas e povoados amazônicos na segunda metade do século XIX

Das cidades paraenses à margem do Amazonas, Óbidos, terra natal do escritor, está presente em dois livros de Inglês de Souza, O Cacaulista e O Coronel Sangrado, considerados os melhores da sua obra.
Em 1848, o naturalista inglês Henry Bates passou por Óbidos e gostou do que viu. "É uma das cidades mais aprazíveis da beira do rio. As casas são todas cobertas de telha, e em sua maioria de construção sólida. Os habitantes, gente ingênua, cortês e sociável", relatou.
Observou que as classes mais elevadas da população eram compostas de famílias brancas tradicionais, revelando, porém, alguns traços de sangue índio e negro em seus descendentes. A maioria dos moradores era constituída de proprietários de fazenda de cacau.

Ao comparar a descrição do infatigável Bates com o texto de Inglês de Sousa, o professor Mauro Vianna Barreto observa a convergência das versões. Em relação às habitações rurais, por exemplo, o mesmo tipo de casa - com paredes de barro, telhada, chão de terra batida e ampla varanda lateral, escassos utensílios, onde a rede assume local de destaque, servindo para uma série de coisas, entre as quais receber visitas, como observou o casal de naturalistas Elizabeth e Louis Agassiz.

O pesquisador do Departamento de Antropologia da UFPA diz que as anotações sobre Óbidos feitas pelo cientista Ferreira Pena em 1868, se tornaram muito importantes porque datam do intervalo do tempo entre O Caucalista e O Coronel Sangrado.

A cidade era então composta de duas praças e nove ruas, entrecruzadas em ângulos retos, de um modo geral estreitas e sem calçamento. Os prédios públicos resumiam-se as duas igrejas, uma delas em ruína, a câmara, a cadeia e ao forte da época da fundação. 

Ferreira Pena conta que a cidade era bem fornida de estabelecimentos comerciais: tabernas, lojas de tecido, alfaiatarias, padarias, drogarias, açougues, oficinas de ferreiro, ourives, olaria e outras casas de pequeno negócio. 

Com um movimentado porto, que recebia, além de barcos e canoas a vela, os vapores da Companhia do Amazonas, a cidade era uma das poucas com iluminação pública. 
A Óbidos da ficção naturalista de Inglês de Sousa bate perfeitamente com o levantamento científico de Pena, na qual a cidade se destaca na região, principalmente se comparada a Faro, um decadente povoado, composto por duas ruas, três travessas e uma praça, com 78 moradores que habitavam casas em péssimas condições. 

Os moradores ansiavam pela chegada da navegação a vapor, que poderia alterar o quadro desolador da cidade. O ar patético apresentado por Faro ao cientista está presente, de forma soturna, no livro Contos Amazônicos, o último que publicou antes de se dedicar inteiramente à bem-sucedida carreira jurídica.
Naquele mesmo 1868, Ferreira Pena aportou em Alenquer, cenário de História de um Pescador. Apesar de acanhada, a vila lhe pareceu uma das mais conservadas do Pará. 

Nada mais era que um alinhamento de cerca de cem casas caiadas e telhadas que se distribuíam por duas ruas paralelas, cruzadas por curtas travessas. Tinha cinco casas de comércio bem sortidas, um açougue e uma padaria, Câmara Municipal em bom estado e uma igreja inconclusa.

Mauro Barreto observa que a descrição acima se harmoniza perfeitamente com a de Inglês de Sousa em seu segundo romance: uma vila pequena, situada em uma extensa planície, à beira de um braço do Amazonas, com habitações distantes da margem por causa das enchentes, com duas ou três ruas apenas, onde existem perto de cem casas, pequenas e pobres.

O excelente livro de Mauro Vianna Barreto é um importante documento sobre a sociedade e o meio rural e urbano do Baixo Amazonas na segunda metade do século XIX. 
Revela ao leitor a importância de um escritor até hoje pouco conhecido, que ousou escrever prosa com rigor quase científico sobre uma região desconhecida dos brasileiros, em momento literário ainda dominado por antigas idéias românticas. (WP)


 

Artigo de Walter Pinto sobre o relançamento de O Coronel Sangrado

Edufpa reedita raridade bibliográfica

Walter Pinto

A Edufpa, a editora da UFPA, já definiu a data para o lançamento de uma raridade bibliográfica, o livro "O Coronel Sangrado", de Inglês de Sousa. Será no dia 4 de setembro, na Livraria do Campus. Inglês de Sousa, paraense de Óbidos, foi o introdutor do Realismo/Naturalismo na literatura brasileira. Sua obra ficcional foi toda publicada na segunda metade do século XIX, em ambiente ainda dominado pelo Romantismo. O caráter de documento social que imprimiu aos livros vem possibilitando leituras diferentes e atuais por parte dos que estudam a Amazônia.

Mas encontrar um livro de Inglês de Sousa em livrarias não é tarefa fácil. Com exceção de "O Missionário", o mais conhecido, os demais raramente foram reeditados apesar da importância que os críticos atribuem ao escritor. "O Coronel Sangrado" foi publicado em 1877. Noventa e um anos depois, em 1968, a Universidade Federal do Pará reeditou o livro, revelando para muitos a concisão, a velocidade e a atualidade da narrativa do romancista obidense.

Na apresentação daquela reedição, o reitor José da Silveira Neto saudou a obra como romance que mais vigorosamente revelava os dons excepcionais de prosador e romancista de Inglês de Sousa. Para reeditar o livro em 1968, a reitoria recorreu aos serviços gráficos da Companhia Gráfica Lux, do Rio de Janeiro, a mesma que imprimiu importantes obras à universidade, entre as quais, Compêndio das Eras da Província do Pará, de Antonio Ladislau Monteiro Baena, e os três volumes do célebre Motins Políticos, de Domingos Antonio Raiol.

A brochura de 168 páginas recebeu discreto acabamento editorial, em capa cor de rosa e título em cor vermelha. O importante foi resgatar o escritor Inglês de Sousa e torná-lo acessível aos leitores.

Passados exatos 35 anos daquela primeira reedição, a UFPA volta a reeditar a obra, agora com apoio do Banco da Amazônia. E desta vez, o faz com tratamento editorial especial. O livrou ganhou mais 76 páginas, uma apresentação escrita por Amarílis Tupiassu, orelhas assinadas por José Arthur Bogéa e fotografias, que permitem ao leitor identificar cenários nos quais a narrativa se passa, como, por exemplo, a casa, ainda existente, do Coronel Sangrado e a igreja para qual convergia o tumultuado processo eleitoral de Óbidos, ricamente descrito pelo autor num dos melhores capítulos do livro.

Com 244 páginas, a nova edição foi impressa na Gráfica Universitária da UFPA. Durante a 18ª Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, a Editora Universitária realizou o lançamento nacional da obra. O lançamento em Belém será no dia 4 de setembro, na Livraria do Campus, em meio a um evento que reunirá especialistas em Inglês de Sousa, o literato e o jurista. Será o grande evento editorial universitário do ano, segundo revela Laïs Zumero, diretora da Edufpa.

Na apresentação da segunda reedição, o reitor Alex Fiúza de Mello faz alusão à maestria do escritor em revelar a Amazônia do século XIX. Para ele, a obra de Inglês de Sousa é "um documento social que retrata variados aspectos da região: a Amazônia do cacau, da pesca, da política, a sociedade regional, onde a vida é sempre luta, do homem contra a natureza, do homem contra o homem".

A Editora Universitária da UFPA planeja publicar, em breve, o primeiro livro de Inglês de Sousa, "O Cacaulista", obra de 1876. E sonha entregar ao leitor o segundo livro, "História de um Pescador", também publicado naquele mesmo ano. Esses dois livros e mais "O Coronel Sangrado" integram a rubrica Cenas da Vida do Amazonas.

Especialista acusa descaso da indústria de editoração

No prefácio da nova edição, Amarílis Tupiassu, doutora em Teoria Literária, professora da UFPA e da Universidade da Amazônia, afirma que "O Coronel Sangrado" é um livro que, "se oferecido a circular na esfera benfazeja da busca do prazer estético, glorificará Inglês de Sousa".

"Livro de muitos méritos, anula a impressão de prolixidade e de escrita arrastada advinda de "O Missionário", fraquezas sem dúvida resultantes do acúmulo de descrições ao gosto do Realismo-Naturalismo", ressalta.

Apesar da prolixidade, "O Missionário" se tornou o livro mais conhecido do escritor paraense. Ganhou muitas reedições, algumas no formato de bolso, foi leitura obrigatória em concurso vestibular e ainda pode ser encontrado nas livrarias. Os outros livros de Inglês de Sousa, porém, "são raridades continuamente sonegadas à leitura pelo descaso da indústria da editoração",afirma Tupiassu.

Para ela, é preciso ler e estudar 'O Coronel', deliciar-se com a Óbidos de 1870, o espaço e o tempo da história. "O livro flui, derrama-se, envolve, puxa o leitor pelas franjas da escrita desataviada dos formalismos de um registro erudito. É um livro moderno, vincado pela atualidade da concepção dos 'casos'. Por ele, pode-se constatar as mazelas de ontem persistindo nas mazelas de hoje".

Dentre os livros escritos entre 1875 e 1876, sob a rubrica Cenas da Vida Amazônica, quando Inglês de Sousa concluía, entre Recife e São Paulo, o curso de Direito, "O Coronel Sangrado" é apontado pelo escritor Josué Montello, no prefácio da reedição de 68, como "livro que revela, nessa hora matinal, os pendores de romancista e o que confere a seu autor uma preeminência cronológica, na história do romance naturalista em nosso país". Ou seja, foi Inglês de Sousa quem, indiscutivelmente, primeiro escreveu dentro dos ditames da nova escla Realista no Brasil.


Autor e obra na visão de críticos e escritores

Para José Arthur Bogéa, escritor e professor do curso de Letras da UFPA, Inglês de Sousa se destaca com uma característica particular em toda escritura: o enfoque principal sobre o homem amazônico, acima da paisagem e do exotismo.

Na avaliação crítica de Araripe Júnior "O Coronel Sangrado" é um livro que entontece, embriaga e farta como bebida forte do Amazonas. Por sua vez, Olívio Montenegro considera o romance mais organicamente vivo e completo da escola naturalista.

Lúcia Miguel Pereira, um dos nomes mais respeitados da crítica literária brasileira, julga ser "O Coronel Sangrado" não apenas o melhor livro de Inglês de Sousa como um dos melhores do gênero na literatura nacional.

Para Alfredo Bosi, em sua "História Concisa da Literatura Brasileira", Inglês de Sousa era um hábil narrador regional, dotado de um temperamento frio e inclinado ao exame dos fatos.

O filósofo Benedito Nunes ressalta que "os contos e romances de Inglês de Sousa constituem enorme painel sócio-político do Pará e de toda Amazônia, elaborado por uma narrativa ficcional de extrema acuidade nos detalhes da ação e no caráter dos personagens, cuja escrita, assimilando os termos das línguas indígenas incorporados à linguagem oral dos nortistas, ainda nos seduz com a sua aptidão para criar a imaginária atmosfera de ambiências locais".

Vicente Salles atesta que a obra de Inglês de Sousa permite ao leitor divisar como era a vida numa pequena comunidade interiorana da Amazônia na segunda metade do século XIX, o que a torna um verdadeiro documento sociológico.

Por sua vez, o crítico Wilson Martins afirma que Inglês de Sousa antecipa o enfoque político presente na obra de Jorge Amado ao escrever sobre o ciclo do cacau amazônico em perspectiva balzaquiana e romancear a vida política provinciana.

Algumas dessas considerações estão descritas de forma pormenorizadas no livro "O Romance da Vida Amazônica, uma Leitura Socioantropológica da Obra de Inglês de Sousa", de Mauro Vianna Barreto.


Paulo Maués Corrêa analisa a obra de Inglês de Souza

A obra do escritor paraense Inglês de Sousa é analisada no livro "Inglês de Sousa em todas as letras", de autoria do professor Paulo Maués Corrêa. O lançamento acontece hoje, a partir das 18 horas, no Largo do Boticário. "Inglês de Sousa em todas as letras" é uma espécie de introdução à obra do autor, proporcionando uma visão panorâmica sobre os livros "O cacaulista" (1876), "Histórias de um pescador" (1876), "O coronel sangrado" (1877), "O missionário" (1891) e um livro de contos datado de 1893, que Paulo diz ser o mais difícil de ser encontrado - "O coronel sangrado" foi recentemente reeditado pela Unama, que promete ainda para este ano fazer o mesmo com "O cacaulista". "A intenção é introduzir o leitor à obra do Inglês e depois remetê-lo para a leitura dos originais", explica o professor. Ele conta que o livro está organizado em ordem alfabética de referências às obras, e faz uma revisão acerca do que chama de "fortuna crítica" sobre o autor. Paulo também promove uma série de interpretações dos livros, e destaca aspectos do texto de Inglês de Sousa, como a relação entre literatura e erotismo, literatura e história, literatura e mito. "Esses pontos aparecem nos livros de forma esparsa, e eu agrupei as informações", explica. O professor começou a analisar a obra de Inglês de Sousa por sugestão do também escritor José Arthur Bogéa, em 1997. Ele partiu de um conto, "Acauã", e foi ampliado para o livro de contos como um todo, até passar para os romances. Com o livro, Paulo pretende jogar mais luz no trabalho do autor. "A distância dos leitores é com grande parte dos autores paraenses em geral, não só com as obras do Inglês, tanto que os estudos sobre eles são poucos. O Dalcídio Jurandir é a bola da vez, com todo mérito, mas pouco se fala do restante dos escritores", lamenta. Como são poucas as informações, Paulo fez questão de destacar no livros as referência mais recentes a estudos sobre o autor que é seu foco, entre eles "Cenas da vida amazônica - Ensaio sobre a narrativa de Inglês de Sousa", de autoria de Marcus Vinícius Leite (2002), "O romance da vida amazônica - Uma leitura socioantropológica da obra literária de Inglês de Sousa", de Mauro Barreto (2001) e uma edição especial da revista "Asas da palavra", editado pela Unama, que faz referência ao autor.

(Apostila 19 de Realismo - Literatura Brasileira)