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As Jóias da Coroa - Raul Pompéia - resumo

Aconteceu de fato o roubo das jóias da coroa. Foi a 22 de março de 1882. As investigações policiais acabaram trazendo à tona os segredos de alcova do imperador D.Pedro II, o que concorreu para “abalar seriamente a respeitabilidade do imperador” (Wilson Martins). Tão sensacional foi o escândalo, que logo depois, em 31 de março, Artur Azevedo lançou sua “ópera bufo-mitológica” Um Roubo no Olimpo, parodiando o fato.

Eis um dos diálogos da comédia: “Argos (a Mercúrio): Estás livre. Mercúrio: Homessa! Pois as jóias foram encontradas no meu quintal e eu estou livre...

Argos: Ordem superior! Mercúrio: Pois há ordem superior à lei?! Argos: E há lei superior à ordem?”

Mercúrio representa Manuel de Paiva, o assaltante e pessoa da confiança do imperador; Argos é o chefe de polícia encarregado das investigações. No romance-charada de Pompéia, o duque de Bragantina é o imperador, a duquesa de Bragantina é a duquesa Teresa Cristina e o marquês d’Etu é o conde d’Eu, que à época, contrariando a imagem popular da esposa princesa Isabel, era conhecido como “Príncipe dos Cortiços”, por especular com casas de cômodos.

Manuel de Paiva era o alcoviteiro-mor e conhecia bem as dependências do Paço. Roubara as jóias, mas logo foi descoberto. As investigações enrolaram-se nos negócios de alcova entre o imperador e Paiva: era ele quem encaminhava as belas adolescentes ao rei.

 

Trecho:

Tempos mais tarde, apareceu na mansão um caixeiro, procurando afobadamente, Manuel Paiva e apresentando um cartão de visita com o nome de Aleixo de tal.

Mais tarde ainda, numa pequena festa que houvera na aldeola da propriedade, por ocasião do casamento de um lacaio do duque de Bragantina, a noiva, uma mocetona rechonchuda e corada, conversando com as amigas sobre o roubo das “jóias da Coroa”, remexia os olhos e os ombros, dizendo:

-Era bem o que eu dizia... Eu jurava que o negócio havia de dar em muita embrulhada ou em muito silêncio. Digam lá vocês se no palácio se toca mais no negócio dos ladrões... Depois da morte da sinhá Emília, que Deus a guarde na sua glória... Coitada, morreu nos braços da senhora duquesa, que fugiu da casa de Gertrudes como uma doida!... Só muito depois disso, é que me contaram, em segredo, que as jóias tinham sido achadas no quintal do seu Manuel Paiva e que o senhor marquês d’Etu andou muito contente, abraçando os inquilinos dos cortiços, feito maluco... Eu bem dizia, eu bem dizia...

 

(Apostila 18  de Pré-Modernismo - Literatura Brasileira)