Lygia Fagundes Telles, em 14 histórias curtas, vasculha a mente e a alma de pessoas comuns que resolvem dramas pessoais, conflitos filosóficos e existenciais.

As tramas insólitas com finais abertos e indefinidos são a confirmação de que, na vida humana, nada é definitivo e explícito.
São as formigas que montam o esqueleto de um anão; são os velhinhos que se vingam da vitalidade do rapaz envenenando-lhe a comida; é o maluco que dá uma consulta a outro, fingindo-se de psiquiatra; são os ratos, que expulsam os participantes de um seminário e assumem os destinos da nação...

A crítica social, a ironia dos costumes, o humor e o ridículo das situações se fundem com uma análise do comportamento e da alma.

Um jovem casal que se transforma em passarinho e borboleta, um tigre que se humaniza convivem nesta fantástica coleção com o despertar da paixão de uma menina pelo primo botânico e com amor obsessivo de Pombas Enamoradas pelo Antenor.

Não faltam regressões catárticas no "Noturno Amarelo" e em "A Sauna" e a presença da morte no sonho que se realiza no dia seguinte.

Mesmo quando é a personagem mulher que abre sua alma, Lygia F. Telles perscruta o íntimo do ser humano, quer seja a solteirona frustrada, e de sexualidade mal resolvida em "Senhor Diretor", quer seja a esquizofrenia do rapaz que reencarna a irmã em "WM", quer seja a alegria de pessoas miseráveis que se esquecem de si para se alegrarem com o ganhador de uma fortuna na televisão, em "O X do problema".

Enfim o enfoque temático e linguagem narrativa traduz de cada conto não só a condição social mas também o modo de pensar das personagens.