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São Bernardo - Graciliano Ramos - resumo

PERSONAGENS:

Paulo Honório:  um dos protagonista da obra, é um capitalista tacanho, ou seja o homem que faz por si mesmo;

Madalena: a outra protagonista, delicada e instruída;

Luis Padilha: proprietário do São Bernardo, filho do ex-patrão de Paulo Honório;

D. Gloria: tia de Madalena;

Casemiro:capanga que ajudou Paulo a matar Mendonça, o velho da fazenda ao lado;

João Nogueira:o advogado;

Ribeiro:o guarda-livros;

Silvestre:o padre;

Gondim:o jornalista;

 

 Abandonado pelo pai, criado por uma negra, a doceira Margarida, Paulo Honório, aos dezoito anos, tem a primeira experiência sexual, de que decorre a primeira violência: esfaqueia João Fagundes, quando este se engraça com Germana, a "cabritinha sarará" que possuiu.

Neste tempo, já pensava em ganhar dinheiro, sendo que trabalhos na enxada até então, dentre outros lugares em São Bernardo, onde permanecera no eito e de que desejava se tornar senhor.

Emprestando dinheiro a juros, negociando no sertão, passando fome e sede, Paulo Honório acumula algum capital e com ele volta à sua terra, município de Viçosa, Alagoas. Aí ficava a fazenda de São Bernardo, cujo novo dono, Luis Padilha - filho do falecido patrão de Paulo, Salustiano Padilha -  é beberrão, mulherengo e incompetente. 

Aproxima-se então de Padilha com o propósito calculado de tirar-lhe a propriedade. Consegue ter êxito fazendo-se seu amigo, emprestando-lhe dinheiro, dando-lhe maus conselhos sobre o cultivo da fazenda. Quando vence a ultima letra que Padilha  devia a Paulo, dirige-se  a São Bernardo (fazenda) e praticamente rouba a propriedade de Padilha, que, arruinado, acaba por vendê-la a preço irrisório.

Com violência e determinação, Paulo Honório, começa a reconstruir a fazenda. Através do Capanga Casemiro Lopes, assassina o velho Mendonça, da propriedade vizinha. Invade os domínios vizinhos, compra maquinas, empresta dinheiro de bancos, comete grandes e pequenas violências, ganha causas no fórum graças a trapaças de João Nogueira, o advogado que o protegia.

Além do capanga e do advogado, Paulo Honório contava com o jornalista Gondim, com o Padre Silvestre e com os políticos da terra, que manejava de acordo com os seus interesses, a fim de vencer. Reconstruída a casa, iniciada a pomicultura, a avicultura, a plantação de algodão, e Paulo Honório resolve-se casar-se.

Conhece Madalena, a professora da Vila, e simpatiza com ela. na mesma determinação, no mesmo pragmatismo com que conseguiu a posse e o progresso de São Bernardo, consegue desposá-la. Madalena muda-se para a fazenda em companhia da tia Glória.

A vida de Paulo Honório modifica-se a partir dai num processo lento, mas fatal de ruína: Madalena, humanitária e esclarecida, interfere em sua rotina de domínio e de exploração. Ajuda os empregados e melhora a situação  da escola que Paulo Honório construíra na fazenda apenas para "agradar"o governador (cujo o  professor era  Luis Padilha, o antigo dono da São Bernardo). Trabalha com o guarda-livros,  o seu Ribeiro, mostrando uma conduta que Paulo considerava inadequada às mulheres: comunista e intelectual. As brigas entre Madalena e Paulo Honório continuam desde o casamento. Isso por causa da generosidade de Madalena e da violência de Paulo Honório.

Madalena não resiste aos maus tratos do marido e suicida-se. Com a sua morte Paulo Honório vai perdendo outras pessoas: D. Glória, seu Ribeiro, o Padilha, e também a obsessão de produzir e ganhar dinheiro.

A revolução de 30 dificulta-lhe os negócios e ele não reage. São Bernardo fenece sob os olhos indiferentes do proprietário, que começa então  a sentir a derrota de sua antiga imponência: a presença de Madalena perseguindo-o, denunciando a coisificação estúpida que imprimiu em tudo de que se aproximou.

Através de lá, a quem a amava, sem conhecer esse sentimento, Paulo Honório compreende o "aleijão" que se tornara. Deformado pela profissão, que o afastou das pessoas e das relações humanas, substituindo-as por relações de posse, de domínio, de poder. Ele reconhece a própria monstruosidade.

Impotente para se transformar, sem ter simpatia pelos infelizes que o rodeiam, inclusive pelo filho de três anos, desconfiado de tudo e de todos, Paulo Honório amarga a solidão e isolamento escrevendo um romance  e buscando, assim , o sentido da sua vida.

Composto por trinta e seis capítulos, este romance combina a objetividade e concisão do enredo com a subjetividade e a emoção revelada nos monólogos. Eles intensificam a dramática da narração, interrompendo-a.

São Bernardo - Graciliano Ramos -

adap. do site: A Literatura Kit.net (http://geocities.yahoo.com.br/dariognjr69/resumo/bernardo.html)

  O social e o psicológico se fundem em São Bernardo para criar uma obra de profunda análise das relações humanas. Este é, sem dúvida, um dos romances mais densos da literatura brasileira. Uma das obras-primas de Graciliano, é narrado em primeira pessoa por Paulo Honório, que se propõem a contar sua dura vida em retrospectiva, de guia de cego a proprietário da Fazenda São Bernardo. Ele sente uma estranha necessidade de escrever, numa tentativa de compreender, pelas palavras, não só os fatos de sua vida como também a esposa, suas atitudes e seu modo de ver o mundo. A linguagem é seca e reduzida ao essencial.  Paulo Honório narra a difícil infância, da qual pouco se lembra excetuando o cego de que foi guia e a preta velha que o acolheu. Chegou a ser preso por esfaquear João Fagundes por causa de uma antiga amante. Possuidor de fino tato para negócios, viveu de pequenos biscates pelo sertão até se aproveitar das fraquezas de Luís Padilha - jogador compulsivo. Comprou-lhe a fazenda São Bernardo onde trabalhara anos antes. Astucioso, desonesto, não hesitando em amedrontar ou corromper para conseguir o que deseja, vê tudo e todos como objetos, cujo único valor é o lucro que deles possa obter.
Trava um embate com o vizinho Mendonça, antigo inimigo dos Padilhas, por demarcação de terra. Mendonça estava avançando suas terras em cima de São Bernardo. Logo depois, Mendonça é morto enquanto Honório está na cidade conversando com Padre Silveira sobre a construção de uma capela na sua fazenda. São Bernardo vive um período de progresso. Diversificam-se as criações, invade terras vizinhas, constrói açude e a capela. Ergue uma escola em vista de obter favores do Governador. Chama Padilha para ser professor.

        Estando a fazendo prosperando, Paulo Honório procura uma esposa a fim de garantir um herdeiro. Procura uma mulher da mesma forma que trata as outras pessoas: como objetos. Idealiza uma mulher morena, perto dos trinta anos, e a mais perto da sua vontade é Marcela, filha do juiz. Não obstante conhece uma moça loura, da qual já haviam falado dela. Decide por escolher essa. A moça é Madalena, professora da escola normal. Paulo Honório mostra as vantagens do negócio, o casamento, e ela aceita.
        Não muito tempo depois de casado, começam os desentendimentos. Paulo Honório, no início, acredita que ela com o tempo se acostumaria a sua vida. Madalena, mulher humanitária e de opinião própria, não concorda com o modo como o marido trata os empregados, explorando-os. Ela torna-se a única pessoa que Paulo Honório não consegue transformar em objeto. Dotada de leve ideal socialista, Madalena representa um entrave na dominação de Honório. O fazendeiro, sentindo que a mulher foge de suas mãos, passa a ter ciúmes mórbidos dela, encerrando-a num círculo de repressões, ofensas e humilhações. O casal tem um filho mas a situação não se altera. Paulo Honório não sente nada pela sua criança, e irrita-se com seus choros. A vida angustiada e o ciúme exagerado de Paulo Honório acabam desesperando Madalena, levando-a ao suicídio.

        É acometido por imenso vazio depois da morte da esposa. Sua imagem o persegue. As lembranças persistem em seus pensamentos. Então, pouco a pouco, os empregados abandonam São Bernardo. Os amigos já não freqüentam mais a casa. Uma queda nos negócios leva a fazenda a ruína. Sozinho, Paulo Honório vê tudo destruído e, na solidão, procura escrever a história da sua vida. Considera-se aleijado, por ter destruído a vida de todos ao seu redor. Reflete a influência do meio quando afirma: "A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste."

Renato Lima