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Louco do Cati - Dyonélio Machado - resumo

O personagem “o louco do cati” é um sujeito misterioso, tratado como louco numa cidadezinha do interior gaúcho. As pessoas do lugar dão ao louco pequenos serviços de limpeza ou de jardinagem que pagam com comida ou hospedagem. Perambulando pela região num “borboleta” (caminhão que levava passageiros na carroceria), Nestor, um dos passageiros, acaba aos poucos, tornando-se protetor desse personagem. Nestor tem a intenção de ir para Florianópolis e acaba levando o louco como companhia, sem saber bem o porquê. O caminho é feito por estradas interrompidas, desvios, chuva, lama, barreiras. Próximo a Araranguá, Nestor é preso, sem muitas explicações pela polícia, que o identifica como um terrorista. Junto com Nestor é preso o louco, mais por estar em companhia de Nestor do que por qualquer outro motivo. Na prisão, Nestor sofre privações e torturas psicológicas. O louco, por sua vez, mostra-se plenamente adaptado ao lugar. A polícia recebe ordens superiores para transferir Nestor e seu companheiro louco para o Rio de Janeiro. A viagem é feita de navio. No Rio de Janeiro, depois de um penoso período na prisão, são soltos de modo tão estranho quanto o que foram presos. Nestor e seu amigo louco decidem ficar numa pensão. Em dado momento, Nestor resolve mandar o louco de volta para o interior do Rio Grande do Sul e para tal intento contará com a ajuda de pessoas amigas que vão para São Paulo e de lá, o louco seria entregue a outras pessoas que o levariam de volta para sua origem. O capitalista e sua mulher são os responsáveis pela primeira parte da viagem. Depois, o dr. Valério é que se encarrega de levar o louco até o seu destino final. O louco e o Dr. Valério pegam um ônibus de Florianópolis até Lajes. A estrada é cheia de precipícios, curvas perigosas, barrancos. Depois de Lajes, o louco já está em companhia de outras pessoas. Numa cidade do interior do Rio Grande do Sul, o louco fica como agregado de uma família que o destina a trabalhos simples de limpeza. Depois desse período, o louco aparece seguindo viagem de trem entre algumas cidades do interior gaúcho (Livramento, Santa Maria). Um certo “coronel” era o “tutor” do louco nesse trecho da viagem, porém, o percurso não é terminado, uma vez que a ferrovia está interrompida devido às fortes chuvas. O comandante Amilívio acaba por convencer o Coronel da possibilidade de se completar o percurso de avião, o que é feito. Porém, uma tempestade força o avião a um pouso de emergência num lugar chamado Santa Cecília, numa clareira na vegetação. O louco então desaparece na mata, o comandante e o coronel saem em busca do louco. O louco é encontrado junto às ruínas de um presídio político e revela-se o seu segredo: O louco do cati era assim chamado, pois, eventualmente tinha crises em que balbuciava a expressão “É o cati! É o cati!” e saía correndo, sem rumo. O “cati” é o cativeiro, a prisão em ruínas que o louco, pelo acaso do destino, reencontrara. Ali, diante dos tijolos que se esfarelam em sua mão, o louco recobra sua sanidade e passa a lembrar que fora preso político, que ali sofrera muitas torturas.

O período histórico retratado na obra é o período da ditadura de Getúlio Vargas. Na obra todos os percursos de viagens realizados pelo louco no seu itinerário sem destino, estão interrompidos por algum motivo: barreiras, pontes caídas, chuvas, estradas incompletas que não levam a lugar algum, etc... Metáfora do regime ditatorial. O personagem principal, e herói da obra, não tem outra fala do que a expressão repetitiva: “É o cati!”, palavra incompleta, que na sua incompletude revela a censura e à restrição à liberdade. O segundo personagem mais importante da obra, Nestor, ficamos sem saber de seu destino e se ele era mesmo um terrorista, um revolucionário, ou tudo não passara de um engano da polícia. Desse modo, Dyonélio Machado constrói um romance cuja arquitetura é a própria denúncia dos dramas psicológicos decorrentes da opressão ditatorial.