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Manifesto Kordelista de 1982 - Franklin Maxado

(leia-o vertikalmente)
 

Nesta data rejistrada,
Fazem 60 anos
Ke o Mário de Andrade
E muitos outros seus manos
Instalaram a "Semana
de 22", em ke se ufana
A revolusão dos planos
  Nesta Bienal do Livro,
Do Kordel, sou pioneiro.
Pela terseira vez, mostro
O poema brazileiro,
Fujindo de alienasões
Prokurando afirmasões
Pra um saber verdadeiro.
Segindo todo trasado
Da "Semana Modernista",
Devemos nasionalizar
Semente kolonialista.
Dezenvolver nosas raízes
Nos afirmar entre paízes
Kom marka personalista.
  Esta Bienal kanta sete
Grandes inteletuais
Primeiro, Mário de Andrade,
Que, do Kordel, tirou az:
O anti-eroi "Macunaima".
Estudou a sua rima
Em traballos majistrais
Carlos Drummond de Andrade
É o outro omenajeado ...
Um dos maiores da Língua
E ke é afisionado
Da leitura de Kordel
E ke só não é menestrel
Porke é noso maior bardo
  O terseiro é nordestino
E se diz um narrodor
Das estórias do seu povo
Ke ouve kom todo amor
É Jorge Amado, kerido
No mundo é traduzido
Kom romanses de valor
O Brazil fez sua Bíblia
Kom o livro "Os Sertões",
Porke Euclides da Cunha
Deskreveu poetasões,
Pois mostrou o nordestino,
Omem sagaz, mas franzino,
Exposto a inkonpreensões.
  Monteiro Lobato fez
Um Kordel para o matuto,
O "Jeca Tato", doente,
Mas brszileiro astuto.
E a obra de Lobato
Merese todo aparato
Pra se divulgar seu kulto
Mas outro paulista merese
Louvasões da Bienal.
É o Menotti del Picchia,
Ke viu a vida rural.
Eskreveu o "Juca Mulato",
Um kaipira do mato,
Sua obra principal
  O sétimo a reseber
Atensões, é Graciliano,
De nome Ramos firmado,
Nasido alagoano.
Eskreveu sem piegismo
Dentro do rejionalismo
Sobre seka e seu dano.
E, aki, no manifesto,
Dou valor ao kordelista.
Poso até não ser poeta,
Mas sinto o seu artista.
Gravador ou glozador,
Violero ou kantador,
Trovador ou repentista.
  Do Kordel vamos pro mundo,
Sem komplexo ou problema,
Sem mendigar as migallas
Do bankete do sistema
Tekinológico dos grandes.
Daki, subamos aos Andes
E vensamos o dilema
Se o "poder vem do povo"
E se o povo é kem faz
A Língua ke nós falamos,
Não kero ser mais lokuaz,
Por uma Nasão popular!
Pela kultura do lugar!
E ke tudo seja "Braz"!


 
Sejamos kordelenses - (por um Kordel
recifense);

Sejamos kordelinos - (por um Kordel
nordestino);

Sejamos kordeleiros - (por um Kordel
brazileiro);

Sejamos kordelianos - (por um Kordel
amerikano);

Sejamos kordeliais - (por um Kordel
internasional);

Sejamos kordelistas - (por um Kordel
kosmopolita).


São Paolo, S.P., VII Bienal Internacional
do Livro, 19 a 29 de agosto de 1982.


Franklin MAXADO



 
* Eskrito dentro de noso
projeto ortografiko-fonético

para a Língua Portugeza