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O Exército de um Homem Só - Moacyr Scliar - resumo

Nota biografia e pequena entrevista:

Autor de mais de 30 obras, ele já teve seus livros traduzidos para inúmeros idiomas como alemão, sueco, inglês, italiano e francês. Entre suas obras estão: “A História de um Médico em Formação” (1962), “A Guerra do Bom Fim” (1972), “Mês de Cães Danados” (1977) e mais recentemente “A Mulher que Escreveu a Bíblia” (1999). Em entrevista exclusiva ao Cineminha, Moacyr Scliar fala sobre o livro, a crítica estrangeira e o fato de “O Exército de Um Homem Só” virar livro. Leia: Cineminha: O “Exército de Um Homem Só” foi traduzido para mais de dez idiomas. Qual a importância de se exportar um trabalho? Moacyr Scliar: Para o escritor é importante ser conhecido em outros países. Mas para a literatura brasileira, que é pouco divulgada no exterior, isto é mais importante ainda. Cineminha: É verdade que o livro está sendo considerado pela crítica internacional como o “Dom Quixote” do século XX? A comparação é gratificante e justa? Moacyr Scliar: Bem, para mim a comparação é elogiosa. Mas acho, sim, que o personagem tem muito de “Dom Quixote”, como tinham todos os jovens de minha geração que lutaram por uma sociedade mais justa. Cineminha: “Exército de Um Homem Só” será adaptado para o cinema. O senhor tem algum receio? Moacyr Scliar: Todo escritor sabe que imagem é uma coisa e palavra escrita é outra. Às vezes o filme que a gente vê é bem diferente daquilo que estava em nossa imaginação, quando escrevemos o livro. Mas também o filme pode até ser melhor que o livro! Rodrigo Capella

 

Resumo:

O personagem título é Mayer "Capitão Birobidjan" Guiznburg, um judeu que chegou ainda menino da Rússia. Mayer era marxista e sonhava fundar uma nova Birobidjan (Birobidjan era o nome de uma colônia coletiva de judeus na Rússia), uma utopia socialista. Jovem, era muito rebelde, e deu muitos desgostos ao pai que lhe queria ver rabino. Tinha outros amigos marxistas, incluindo a jovem Léia com quem se casa. Após algum tempo abandona tudo e vai viver na propriedade de um desses amigos, que, como todos a essas alturas, já havia abandonado suas convicções. Em Nova Birobidjan, como ele batiza sua terra, passa a viver para o trabalho acompanhado pelo Companheiro Porco, Companheira Cabra e Companheira Galinha, a última a qual ele não gostava por ser improdutiva, lia Rosa Luxemburgo e dava discursos a homenzinhos que só ele via. Depois de algum tempo aparecem inimigos, quatro vagabundos a quem ataca após ser atacado, e cuja amante coletiva passa a se tornar a segunda cidadã. Mais tarde ela sai de Nova Birobidjan e Mayer volta para casa. Ele se reforma, após algum tempo até mesmo abandona o ateísmo, e passa a trabalhar duro. Troca de ramo para a construção e enriquece, mas complica-se ao se tornar amante da secretária e acaba se divorciando após abandoná-la. Sua companhia fale e ele acaba numa pensão (localizada no terreno de Maykir, sua antiga empresa, que por sua vez se localizava no terreno da Nova Birobidjan), onde tenta reiniciar Nova Birobidjan, mas acaba falhando. Acuado, abandonado, triste, muito ligado a religião e quase sem esperança (os homenzinhos para quem discursava agora já eram só três), o Capitão Birobidjan tem um ataque do coração ao ensaiar uma resistência, mas como descobrimos no começo do livro, ele sobrevive. A história, no entanto, acaba aqui. Contado em terceira pessoa, cada capítulo deste livro nos remete a um ano ou conjunto de anos. O primeiro e último é 1970, mas recua-se logo apara 1928, 1916, 1929, 1930... até voltar-se para 1970, contando sempre com o humor irônico e amargo de Scliar, a saga do Capitão Birobidjan, um louco humanista, Don Quixote do bairro do Bonfim de Porto Alegre, tentando construir uma sociedade melhor e coletivista, apesar de tudo e de todos que se opõe a ele, ridicularizado por todos aqueles a quem chama Companheiro, ele é um exército de um homem só lutando por um mundo mais justo que no final não vale a pena.

 

(Apostila 31 de Lit. brasileira Contemporânea)