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A Madona de Cedro - Antonio Callado - resumo

Publicado em 1957, o romance A Madona de Cedro conta a história de Delfino Manoel, pequeno comerciante de objetos feitos em pedra-sabão, dono de uma lojinha em Congonhas do Campo, Minas Gerais. O livro se abre com Delfino recordando acontecimentos de sua vida, dez anos atrás, que ocorreram na Quaresma.               

Sendo agora também época da Quaresma, as lembranças voltam com mais força, ocupando boa parte do romance e, conseqüentemente, das atenções do leitor. Ficamos sabendo que Delfino se apaixonara por Marta, moça do Rio de Janeiro, com que efetivamente viria a se casar. Mas o casamento teve um preço, alto para ele e esse é o nó de toda a questão. Para casar-se Delfino precisava de dinheiro, pois o pai da moça só consentiria se o rapaz comprasse uma casa.

A ação se passa em Congonhas do Campo, no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, paróquia do padre infeliz, durante as comemorações da semana santa.

As personagens do romance são:  um grupo de ladrões de imagens sacras do barroco, muito procuradas pelos antiquários; um milionário americano inescrupuloso disposto a ter uma madona de cedro; um padre em crise existencial.

Um amigo de infância, Adriano, oferece a Delfino os meios de resolver o problema do dinheiro, propondo-lhe que roube para seu patrão (o sinistro Juca Vilanova) uma imagem da Virgem, esculpida pelo Aleijadinho e pertencente à Igreja da cidade. Roubando essa imagem e fotografando outra (de Judas) ele poderia ganhar a quantia que necessitava para compra da casa.

Para roubar a madona de cedro, pretendida pelo americano rico, o ladrão espera a igreja ficar vazia, com a saída da procissão, entra e se esconde tomando o lugar da imagem do Senhor Morto que fica embaixo do altar.

Contando com a liturgia da Igreja que manda que o recinto permaneça fechado e às escuras (Ofício das Trevas) na sexta feira, o ladrão se prepara para dormir e sair quando a igreja reabrir.

Com a igreja já fechada, o padre passa pelo altar e vê a imagem do Senhor Morto se mover e acreditando ser um milagre percebe que sua fé não desaparecera.

Dez anos, depois, recordando Delfino o fato, seu drama recomeça. Marta, agora sua mulher e mãe de dois filhos, quer que Delfino volte a se confessar, pois não o faz desde a época do roubo, que naturalmente, ela ignora. Quando Delfim está prestes a se confessar, movido por insistência de Marta e do padre Estevão, ressurge o velho amigo Adriano, com outra proposta de Juca Vilanova: devolver a imagem da Virgem, roubada no passado, e roubar outra, antes apenas fotografada - de Judas.

Depois de muita indecisão, Delfino propõe-se a restituir a imagem da Virgem a seu antigo lugar, mas recusa-se a roubar a outra. Tudo parece correr bem, no momento em que Delfino recoloca a imagem no altar, mas de repente a igreja se fecha e ele se vê encerrado lá dentro, sozinho e com medo de ser surpreendido e descoberto por todos quando abrissem a igreja, na hora da procissão. Para que isso não aconteçam quando abrem a porta, Delfino se oculta no caixão que ali estava, com a estátua de Cristo, pronto para ser carregado pela multidão através das ruas da cidade. Dessa forma, Delfino sai no lugar de Cristo, em procissão.

Quando por fim o reconduzem de volta à igreja e a multidão se retira, sem nada suspeitar, Delfino, julgando-se sozinho, levanta no caixão, matando de susto uma velha beata. O padre Estevão, que também está na igreja, finge não vê-lo. Quando Delfino o procura mais tarde, para confessar finalmente suas culpas e a confusão armada, o padre está em êxtase dizendo que viu um milagre. Pensando que ele se refere à sua aparição na igreja, como um Cristo ressuscitado, Delfino perde a coragem e não confessa. Mas Marta, já informada de tudo, o repreende duramente.

Delfino volta desesperado à procura do padre, que então lhe explica que sempre soubera não ter visto o Cristo ressuscitado. Seu êxtase e sua alegria provinham de outro motivo: uma certeza que finalmente, após anos de hesitação, lhe viera de que deveria partir para a Amazônia, cumprir um velho sonho de ser missionário.

Delfino então confessa-lhe tudo e o padre o perdoa, mas lhe impõe uma penitência: atravessar a cidade com uma enorme cruz às costas. A princípio ele reage, temeroso de cair no ridículo, mas depois resolve submeter-se, expondo-se ao sarcasmo, risadas, ataques e outras reações das pessoas que o vêem chocadas passar com a cruz, considerando aquilo um sacrilégio. No final da longa caminhada, ganhando novas forças pela visão inesperada de Juca Vilanova, que lhe aparece como a própria figura do demônio, Delfino consegue chegar à porta da Igreja, onde o aguardam o padre e Marta, com um sorriso de perdão nos lábios.

Adapt. De Lígia Chiapini Moraes Leite, Lit. Comentada, ed. Abril, 1988.

 

(Apostila 3 de Contemporānea da Lit. Brasileira)