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Salústio

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Caio Salústio Crispo (86-34 a.C.), foi um dos grandes escritores e poetas da literatura latina.

Nasceu em Amiterno, na Sabina, em 86 a.C. em uma família interiorana, mas de posses, teve uma formação requintada. Foi cedo para Roma, e recebeu apoio de pessoas da influência da sua família. Com o apoio de César, Salústio foi eleito questor, cargo que lhe assegurou uma cadeira no Senado Romano. Investiu contra adversários de César, e estes passaram a ser seus adversários, como Milão e Cícero.

Esse inimizade que Salústio tinha com Cícero é refletira em sua obra: A conjuração de Catilina, o autor é hostil a Cícero e não entra em muitos detalhes quanto a importante participação de Cícero durante o ocorrido, ele nem mesmo reproduz os discursos de Cícero ao Senado, discursos que até hoje são lembrados pela historiografia política. Em compensação Salústio descreve com riqueza de detalhes o discurso de César, seu colaborador.

Salústio foi expulso do Senado pelo censor Ápio Cláudio Pulcher, grande amigo de Cícero, sob a acusação de imoralidade, mais pouco depois foi reconduzido ao cargo pelo chefe e padrinho. Durante a guerra Civil, ele apoiou a causa de César a quem prestou serviços e por quem foi nomeado governador da Numídia (África Nova), onde conseguiu acumular uma grande riqueza e passou a desfrutar da “angustiante fadiga romana”. Com o fim de sua carreira política, ele passou a se dedicar a literatura, já desiludido com a corrupção em Roma, escreveu sobre a decadência do povo romano e foi útil ao descrever dois grandes momentos do fim da república romana: a Conjuração de Catilina e a Guerra de Jugurta, escritos entre a morte de Cícero, em 43 a.C. e a guerra Purúgia, 40 a.C., quando os grandes personagens da conjuração, Crasso, Pompeu, Catão, César, Cícero e o próprio protagonista, Catilina; já haviam desaparecidos do cenário político.

Salústio usa suas narrativas como um pretexto para criticar os erros políticos cometidos pelos que governavam, principalmente os de Cícero, seu inimigo político e pessoal. Assim Salústio encerra sua vida publica, em sua mansão adquirida com as riquezas que arrecadou enquanto era governador da Numídia, escrevendo suas monografias em seu belo jardim, e assim como Cícero, ele entra para a história por relatar passagens da política romana na antiguidade.


César e Catão: algo de Salústio para ser relido

Por: Maria da Glória Novak

Lendo e ouvindo as muitas façanhas feitas pelo povo Romano na paz e na guerra, no mar e em terra, ocorreu-me o desejo de indagar que causas tornaram possivel tão grande atividade. Sabia eu que freqüentes vezes um punhado de homens se tinham batido com grandes legiões inimigas; tinham tido a oportunidade de conhecer que com recursos escassos se guerreara contra reis poderosos; que, além do mais, tivéramos com freqüência de suportar os golpes da fortuna, e que os gregos, pela eloqüência, e os gauleses, pela glória militar, estavam à frente dos Romanos.

À custa de muita reflexão, eu chegava a conclusão de que o valor eminente de uns poucos cidadãos tinha conseguido realizar tudo isso e assim se deu que a pobreza prevaleceu sobre a riqueza, a pouquidade, sobre a multidão.

Mas depois que o luxo e a ociosidade corromperam a Nação, a República, pela sua própria grandeza, foi, por sua vez, capaz de suportar os vícios dos generais e magistrados e, Roma, como se tivesse exaurida sua fecundidade, por longos anos não produziu nenhuma grande figura. Em meu tempo, porém, houve dois homens de extraordinãrio valor, de caracteres opostos: Marco Catão e Caio Cesar.

Pois bem, eles, pelo nascimento, idade, eloqüência, eram quase iguais; a mesma grandeza de alma, o mesmo desejo de glória também, mas cada um à sua maneira. À custa de favores e liberalidades granjeara César seu prestígio; Catão, pela integridade de sua vida. Aquele pela mansidão e clemência se fizera ilustre; a este a austeridade conferira o respeito. Ambos chegaram à glória: César dando, ajudando, perdoando; Catão, nada concedendo. Um era o refúgio dos infelizes, o outro a ruína dos maus. De um se louvava a condescendência, do outro a coerência. Por fim, César se propusera trabalhar, vigiar, descuidar de seus interesses para se consagrar aos interesses dos amigos; para si ambicionava uma grande missão, um exército, uma guerra diferente onde pudesse resplandecer seu valor. E Catão tinha o gosto da moderação, do dever, mas, acima de tudo, da austeridade. As armas com que lutava não eram a riqueza com os ricos nem a intriga com o intrigante, mas a coragem com o bravo, a discrição com o modesto, a integridade com o honesto. Preferia ser a parecer bom; por isso, quanto menos procurava a glória, mais ela o perseguia. Ita quo minus petebat gloriam, eo magis illum adsequebatur.

Salústio: De Coniuratione Catilinae, Sobre a conjuração de Catilina, 53-54.

Sed mihi multa legenti, multa audienti, quae populus Romanus domi militiaeque, mari atque terra praeclara facinora fecit, forte lubuit adtendere, quae res maxume tanta negotia sustinuisset. [3] sciebam saepenumero parva manu cum magnis legionibus hostium contendisse; cognoveram parvis copiis bella gesta cum opulentis regibus, ad hoc saepe fortunae violentiam toleravisse, facundia Graecos, gloria belli Gallos ante Romanos fuisse. [4] ac mihi multa agitanti constabat paucorum civium egregiam virtutem cuncta patravisse, eoque factum, uti divitias paupertas, multitudinem paucitas superaret. [5] sed postquam luxu atque desidia civitas conrupta est, rursus res publica magnitudine sua imperatorum atque magistratuum vitia sustentabat ac, sicuti effeta partu, multis tempestatibus haud sane quisquam Romae virtute magnus fuit. [6] sed memoria mea ingenti virtute, divorsis moribus fuere viri duo, M. Cato et C. Caesar. quos quoniam res obtulerat, silentio praeterire non fuit consilium, quin utriusque naturam et mores, quantum ingenio possum, aperirem.

LIV.[1] Igitur iis genus, aetas, eloquentia prope aequalia fuere, magnitudo animi par, item gloria, sed alia alii. [2] Caesar beneficiis ac munificentia magnus habebatur, integritate vitae Cato. ille mansuetudine et misericordia clarus factus, huic severitas dignitatem addiderat. [3] Caesar dando, sublevando, ignoscundo, Cato nihil largiundo gloriam adeptus est. in altero miseris perfugium erat, in altero malis pernicies. illius facilitas, huius constantia laudabatur. [4] postremo Caesar in animum induxerat laborare, vigilare; negotiis amicorum intentus sua neglegere, nihil denegare, quod dono dignum esset; sibi magnum imperium, exercitum, bellum novom exoptabat, ubi virtus enitescere posset. [5] at Catoni studium modestiae, decoris, sed maxume severitatis erat; [6] non divitiis cum divite neque factione cum factioso, sed cum strenuo virtute, cum modesto pudore, cum innocente abstinentia certabat; esse quam videri bonus malebat: ita, quo minus petebat gloriam, eo magis illum adsequebatur.

in: NOVAK, Maria da Glória: Antologia Bilíngüe de Escritos Latinos pp. 41-43.

Fonte: http://salterrae.org/2008/05/13/cesar-e-catao-algo-de-salustio-para-ser-relido/