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Anacreonte

(TEOS, séculos vi-v a. C.)
 

Poeta grego. Provém de uma família de origem jónica. Passa quase toda a primeira parte da sua vida na corte de Polícrates, tirano de Samos. Após a morte do seu protector instala-se em Atenas. Segundo testemunhos antigos chega à idade de 85 anos. Segundo a tradição, morre engasgado por um cacho de uvas. Anacreonte é basicamente um poeta cortesão que celebra os prazeres do vinho e do amor com versos festivos e laudatórios. Não trata temas sérios, e se o faz é com tom burlão ou superficial. Aos fragmentos conservados dos seus cinco livros (odes, canções, elegias, epigramas, etc.) há que acrescentar toda uma tradição («poesia anacreôntica») que canta os prazeres das musas (as artes) e de Afrodite (o amor).

Anacreonte
Fragmentos traduzidos
---por Celina F. Lage

fr. 19 G
A negra terra bebe
e bebem as árvores a ela;
bebe o mar as brisas,
o sol o mar,
a lua o sol.
Porque brigais comigo, companheiros,
comigo que também quer beber?


fr. 428 W
e amo, de novo, e não amo;
e enlouqueço e não enlouqueço.


---por Jacyntho Lins Brandão

fr. 15 Gent.
Ó moço que olha virginal:
busco-te, e tu não ouves,
não sabendo que da minha
alma tens as rédeas.


fr. 36 Gent.
Se alvas já nossas
têmporas e a cabeça branca,
é que amada juventude não mais
está aqui - e velhos os dentes.
De doce não mais muito -
de vida não mais tempo resta.
Por isso choro
muito do Tártaro temeroso:
pois o Hades é terrível
recesso e dolorosa para ele
a descida. É certo sim
quem nele submerge não emergir.



---por Maria Olívia Q. Saraiva

fr. 15 Gail
Não me importa Giges,
o rei de Sardes.
Jamais me toma o ciúme,
nem invejo os tiranos.
Importa-me com perfumes
inundar a barba.
Importa-me com rosas
coroar cabeças.
O hoje importa a mim,
pois, do amanhã, quem sabe?
Como ainda há bom tempo,
Bebe e jogua dados
e faz libações ao Liaio.
Que a doença, se alguma vier,
não diga: ‘tu não deves beber.’

Fonte: http://br.geocities.com/bibliotecaclassica/textos/anacreonte.htm


Simpósio

Anda rapaz, traz-me uma taça
para eu beber um gole,
deitando dez medidas de água
e cinco de vinho.
Quero festejar Baco
de novo, sem insolência.
...................................
Vamos pôr de parte
as maneiras citas,
com suas palmas e alarido,
e, em vez disso, beber moderadamente,
ao som de belos hinos.

[ Anacr.Fr. 11 Page ]

 

Paixão

Ó criança de olhar virginal,
procuro apanhar-te, mas tu não escutas
e não sabes que a minha
alma diriges.

[ Anacr.Fr. 15 Page ]

Fonte: http://greciantiga.org/lit/pt/lit04a-3c.asp


Anacreonte Fr.96 D

 
Não gosto de quem, bebendo vinho junto do crater repleto,
Canta dissensões e guerras cheias de lágrimas,
Mas de quem, misturando das Musas e de Afrodite os dons esplendorosos,
Celebra a amável alegria.

[Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira]

Friday, November 30, 2007

Anacreonte - Fr.357

 
Soberano, com quem o Amor subjugador
e as ninfas de olhos azuis
e a purpúrea Afrodite
brincam, quando estás
nos altos píncaros das montanhas!
Suplico-te; e tu de espírito compassivo
vem até mim, para ouvires
a minha grata prece.
Sê bom conselheiro de Cleobulo,
para que o meu amor,
Ó Dioniso, ele aceite.

(Trad. Frederico Lourenço)
 

Monday, November 26, 2007

Anacreonte, Fr.68 Page

 
Com um grande machado, tal um ferreiro, de novo,
Eros me bate e mergulha-me numa torrente invernal.


Tradução: Maria Helena da Rocha Pereira
 

Sunday, November 11, 2007

Anacreonte 358 PMG

 
O amor dos cabelos de ouro
lança-me a bola vermelha
e quer que eu jogue com a moça
das sandálias coloridas.

Mas a jovem — que é de Lesbos,
a bem construída — faz pouco
de meus cabelos já brancos
e olha ardente para um outro.

[Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos]
 

Thursday, October 18, 2007

Anacreonte # 2

 
1.
Traz essa taça, ó rapazinho,
Para que agora um trago eu prove,
E cinco doses põe de vinho,
Uma de água com mais nove.
Eu decidi, sem insolência,
Honrar a Baco em compromisso,
Dispenso agora a exigência,
O formalismo, e mais serviço!
Não quero claque ou audiência. [Fr.4 Diehl]

2.
Detesto quem evoca
Prantos da fera guerra,
Enquanto os lábios molha
Ao vinho da cratera.
Por isso eu amo quem
Mistura Musa e Vênus,
E os dons da farra tem,
Esplêndidos, serenos.

3.
Alva me restou a fronte,
Me são têmporas grisalhas,
Vão meus verdes anos: onde?
Já meus dentes são limalha!
Resta-me viver da vida
Um sopro que vai morrendo,
Por que choro sem guarida?
Pelo Tártaro, que é horrendo.
Mas terrível é que a ida
Não tem volta, é só descendo.
 

Saturday, October 06, 2007

Anacreonte fr.395

 
Grisalhas já minhas têmporas,
alva minha cabeça e
a graça da juventude
é ida; velhos os dentes,
e não resta muito tempo
para mim na doce vida.

É por isso que eu lamento,
e amiúde temo o Tártaro,
pois tenebroso é o retiro
do Hades, como é terrível
a descida: é certo, sabe-se
que quem desce não mais sobe.

[Tradução: Marcelo Tápia]
 

Anacreonte, Fr.417

 
Potranca trácia, tu me olhas
com o teu olhar de esguelha
e foges, cruel - por quê?
Crês que sou um vero ignaro?

Fica a saber! Com acerto,
o freio te enlaçaria,
com rédeas nas mãos, faria
girares em torno do eixo.

Mas no prado agora pastas,
brincas, solta, a saltitar,
porque não há quem te monte,
quem com jeito te cavalgue.

[Tradução: Daniel Rossi Nunes Lopes]
 

Monday, September 10, 2007

Anacreonte

 
Fr. 1D
Dos cervos caçadora, ó loura Ártemis,
Filha és de Zeus, e imperatriz das feras.
Nas praias do Leiteio sempre velas
A cidade feroz dos baluartes:
Pois deusa nunca foste de homens rudes.

Fr. 2D

Tu brincas com Eros, ó implacável
Déspota, e as ninfas tu animas,
De azul pupila, e rubros elos
De Afrodite. Ambulas, entretanto,
em píncaros de sombra, em montes
De lá, que escutes meu chamado:
De Cleóbulo, ó Dioniso,
Ah faz com que ele seja meu amado.

Fr.4D
Eu te procuro, e não me escutas,
Menino de castas pupilas.
Nas mãos as rédeas levas de minha alma.

Fr.96D
Tu, após me espionares
De olho vesgo, assim me foges,
Ó potrinha ágil da Trácia?
Crês velhusca a minha arte?
Olha, o freio vou lançar-te,
Dou-te rédeas e acicate,
O trote eu te dobro, e caminhas.
Ninguém conseguiu domar-te?
Tu só viste mariquinhas.

Fr.13 Page
Com rubra bola (é sina) o loiro
Eros de ouro me ataca, e malha:
Hei de brincar com a menina
Que tem pinturas na sandália.

Ela é de Lesbos, centro sábio,
E a púbis, quando lhe escancaro
Ela espezinha; ao certo, os lábios
A um rapazinho ela abre avara.

(Traduções: Antônio Medina Rodrigues)

Fonte: http://primeiros-escritos.blogspot.com/search/label/Anacreonte

 

 

 

 

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